Bastidores da Decisão Inédita no Supremo
Em uma reunião sem precedentes, os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegaram a um acordo para transferir a relatoria das investigações sobre fraudes no Banco Master. O encontro, marcado por debates intensos, culminou na decisão de que o ministro Dias Toffoli deixaria o caso. O presidente da Corte, Edson Fachin, leu trechos do relatório da Polícia Federal que continham menções ao ministro. Apesar de relutar inicialmente e apresentar sua defesa ponto a ponto com documentos, Toffoli acatou a decisão em consenso, que estabeleceu os termos de uma saída formalizada como “a pedido”.
Mendonça Assume Inquérito em Meio à Crise
Com a saída de Toffoli, o ministro Mendonça foi sorteado e assumiu a relatoria do inquérito. Seu principal desafio será gerenciar a crise interna gerada pelo episódio, que, segundo integrantes do STF, deixará sequelas, como divisões e aumento da desconfiança entre os ministros. Mendonça terá a tarefa de analisar se a investigação sobre as fraudes no Banco Master permanecerá sob a alçada do Supremo Tribunal Federal.
Impactos e Análises da Mudança de Relatoria
A saída de Dias Toffoli do caso Master repercute entre juristas e analistas. A colunista Malu Gaspar aponta que a situação pode complicar a posição do ministro Alexandre de Moraes, que também foi citado em material apreendido pela Polícia Federal no mesmo caso e pode ser alvo de outro relatório. Por outro lado, Maria Cristina Fernandes interpreta a troca de relator como uma “suspeição velada”, ressaltando que a Corte manteve a validade das provas que poderiam ter sido inviabilizadas, garantindo a continuidade das investigações sobre os fatos mencionados no relatório da PF.
Outras Decisões e Temas em Destaque no STF
Enquanto o caso Master mobiliza os bastidores do STF, outras questões importantes tramitam na Corte. O TSE, sob a presidência de Cármen Lúcia, anunciou recomendações de conduta para juízes eleitorais na campanha deste ano, visando evitar abusos. Especialistas também analisaram a decisão unânime do TSE que evitou a censura prévia a uma escola de samba no Rio de Janeiro, mas alertou para riscos de crime eleitoral. Além disso, o STF discute a possibilidade de anular anistias em casos de ocultação de cadáver durante a ditadura e tem protegido campanhas sociais sob o manto da liberdade de expressão, exigindo prova de má-fé ou negligência para responsabilização civil.

