Afastamento em Macapá lança sombra sobre o PSD
O Partido Social Democrático (PSD) enfrenta um início de ano conturbado, marcado por desafios internos e externos. A mais recente adversidade surgiu com o afastamento do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (Dr. Furlan), apenas um dia após sua filiação à legenda. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma operação da Polícia Federal por suspeita de fraude em licitação na Secretaria Municipal de Saúde colocam o novo membro do partido sob investigação.
Esquema de desvio de recursos e o papel do prefeito
As investigações apontam para um esquema criminoso envolvendo agentes públicos e empresários em Macapá, com indícios de desvio de quase R$ 129 milhões de reais provenientes de emendas parlamentares. Segundo o ministro Flávio Dino, do STF, o prefeito Dr. Furlan seria o principal beneficiário político do esquema. Provas indicam que ele teria utilizado sua posição e influência para facilitar e ocultar a movimentação dos valores desviados.
Desafios em São Paulo e a corrida presidencial
Além da crise em Macapá, o PSD de Gilberto Kassab lida com tensões em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O partido está em desacordo com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que pode resultar na perda de espaços na gestão estadual, incluindo a vice-governadoria. No cenário nacional, a legenda aposta em três nomes para a presidência — Ratinho Junior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) — mas as pesquisas eleitorais indicam baixo desempenho para os três, com índices de intenção de voto que não decolam.
Divisões internas e alianças regionais
A dificuldade em lançar um candidato competitivo à presidência e a sinalização de não apoio nem a Lula (PT) nem a Bolsonaro (PL) podem aprofundar divisões internas no PSD. Diversos estados, como Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Amazonas, Alagoas, Piauí e Mato Grosso, já declararam apoio ao presidente Lula. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) demonstra mais interesse em manter boa relação com o governo federal do que em apoiar um candidato do próprio partido. No Nordeste, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), também sinalizou apoio a Lula. Em Minas Gerais, Mateus Simões, que assumirá o governo estadual, indicou que seu candidato ao Planalto será Romeu Zema (Novo), contrariando a estratégia nacional do PSD e gerando mais uma polêmica interna.

