Inteligência da CIA e Israel monitoravam Khamenei há meses
A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) e a comunidade de inteligência de Israel vinham monitorando os movimentos do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, há meses. Em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, a CIA obteve informações cruciais sobre uma reunião de cúpula do líder iraniano com autoridades do regime em um complexo oficial em Teerã no último sábado. Essa informação permitiu que os aliados adaptassem e antecipassem planos, lançando um ataque à capital iraniana em plena luz do dia. Essa “surpresa tática” foi fundamental para o sucesso da operação, que resultou na morte de Khamenei e de alguns de seus principais assessores, conforme noticiado pela imprensa oficial do país.
Colaboração e adaptabilidade em ação conjunta
O ataque conjunto que vitimou o aiatolá Ali Khamenei evidenciou a estreita colaboração e a capacidade de coordenação entre as forças americanas e israelenses, bem como a notável adaptabilidade dos militares de ambos os países. Fontes com conhecimento dos bastidores da operação, que optaram por permanecer anônimas, detalharam à mídia americana o passo a passo do ataque, considerado o mais duro golpe desferido contra o regime iraniano desde sua fundação. A CIA obteve a informação sobre o paradeiro de Khamenei através de uma rede de inteligência construída desde o ano passado, utilizando a mesma fonte que, segundo relatos, permitiu ao então presidente Donald Trump saber da localização do aiatolá durante bombardeios anteriores, mas sem que a ação fosse concretizada.
Janela de oportunidade e decisão política
A informação, compartilhada pelos EUA com Israel com um selo de “alta fidedignidade”, foi confirmada pela inteligência israelense, que também obteve confirmação da presença de outros altos funcionários militares no mesmo local, incluindo o Ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, almirante Ali Shamkhani. A confirmação da presença dessa cúpula militar no mesmo evento raro levou a liderança política dos dois países a tomar uma decisão decisiva: a hora de um ataque ao Irã havia chegado. Essa janela de oportunidade tática alinhou-se com o momento político, especialmente após as últimas negociações diplomáticas entre EUA e Irã, nas quais negociadores americanos relataram a falta de intenção de Teerã em ceder em suas pretensões nucleares ou em discutir preocupações sobre seu programa de mísseis.
Ataque diurno como surpresa tática
O plano inicial para uma ofensiva ao Irã previa um bombardeio noturno para minimizar riscos. No entanto, o cronograma apertado alterou o plano, que foi executado de forma adaptada. Jatos de combate israelenses decolaram de bases em Israel por volta das 6h de sábado, armados com munições de longo alcance e alta precisão. Por volta das 9h40 em Teerã, mísseis de longo alcance atingiram o complexo administrativo iraniano. Ao todo, 30 cargas explosivas foram lançadas sobre o complexo. Israel concentrou-se em autoridades de alto valor ligadas ao programa de mísseis do Irã, enquanto os EUA miraram infraestruturas de mísseis e alvos militares. A campanha aérea israelense, que envolveu cerca de 200 caças atingindo aproximadamente 500 alvos, foi descrita como a maior campanha aérea isolada da história do país. Fontes israelenses destacaram que o ataque durante o dia se converteu em uma “surpresa tática” que contribuiu significativamente para o sucesso da operação, contrastando com operações anteriores, como a “Martelo da Meia-Noite” em junho de 2025, que foram realizadas preferencialmente à noite.

