Pressão Altista no Mercado de Trigo
O mercado de trigo, tanto no Brasil quanto internacionalmente, sinaliza uma nova rodada de aumentos de preços. Especialistas apontam que essa elevação é considerada inevitável pelos agentes do setor, o que se traduzirá em valores mais altos para pães, massas e biscoitos para o consumidor final. Apesar de oscilações recentes, o cenário estrutural é de forte pressão altista.
O Impacto no Preço da Farinha
A consequência direta desse cenário é o aumento no preço da farinha de trigo, principal insumo na cadeia produtiva de diversos alimentos. Há um consenso no setor de que haverá um reajuste já em abril, com estimativas entre 5% e 10%. A tonelada de farinha, que atualmente oscila entre R$ 1.970 e R$ 2.000, deve sentir essa pressão. Segundo Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria, em alguns casos, os moinhos consideram mais vantajoso vender o trigo do que processá-lo, o que reforça a tendência de repasse ao consumidor.
Fatores Que Impulsionam a Alta do Trigo
Diversos fatores simultâneos explicam o movimento de alta nos preços do trigo:
- Menor Oferta Global: Problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como a seca que afeta cerca de 55% das lavouras de inverno nos EUA, contribuem para a redução da oferta.
- Produção Mundial Inferior: Projeções indicam uma produção mundial de trigo em 2026/27 menor do que o recorde anterior.
- Custos Elevados de Produção: Aumento nos custos de produção, incluindo insumos e logística.
- Riscos Geopolíticos e Dólar Forte: Instabilidade geopolítica global e a valorização do dólar encarecem o produto, especialmente o importado.
Preços no Brasil e Impacto no Consumidor
No Brasil, os preços do trigo refletem essa tendência. No Paraná, o cereal já é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul os valores variam de R$ 1.200 a mais de R$ 1.300 por tonelada, dependendo da qualidade. O trigo importado, mesmo com variações, também apresenta custos elevados, podendo chegar a R$ 1.561 a R$ 1.712 por tonelada, dependendo da origem e frete. Para o consumidor, o pão francês deve ser o primeiro a sentir o impacto, seguido por massas e biscoitos. Diante desse cenário, alguns consumidores e indústrias já antecipam compras ou buscam alternativas para mitigar os custos, como a mistura de farinhas.

