Início do Julgamento e Plano de Negócios da Vítima
O III Tribunal do Júri da Capital inicia nesta quinta-feira o julgamento de Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes, acusados pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo. Crespo foi morto a tiros em fevereiro de 2024, em frente à sede da OAB no Rio de Janeiro. Segundo o delegado Rômulo Assis, responsável pela investigação, a vítima planejava abrir um ‘sport bar’, um tipo de casa de apostas, em Botafogo, Zona Sul do Rio. O empreendimento seria estabelecido dentro de um clube de poker já existente na região, e Crespo buscava ativamente uma parceria para consolidar o negócio.
Interesse em Apostas e Conexões com o Jogo do Bicho
O delegado Rômulo Assis detalhou que Rodrigo Crespo demonstrava grande interesse na área de apostas, realizando estudos, escrevendo artigos sobre o tema e participando de feiras do segmento pouco antes de sua morte. Mensagens trocadas pela vítima indicavam que ele já possuía um potencial sócio, proprietário da casa de poker, e que este sócio teria “padrinho para a área”, o que, segundo Crespo, dispensaria a necessidade de envolvimento com o jogo do bicho tradicional. A escolha do local para o negócio coincidia com uma recente mudança de comando no jogo do bicho na Zona Sul, onde a área antes controlada por Bernardo Bello passou para Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho, e posteriormente foi dividida.
Modus Operandi e Ligações com Organização Criminosa
A investigação aponta que os veículos alugados pelo policial militar Leandro Machado, um dos réus, eram utilizados em ações ligadas à organização criminosa do bicheiro Adilsinho. O delegado Rômulo Assis destacou a semelhança entre o modo de operar neste crime e outros atribuídos à organização de Adilsinho, incluindo o monitoramento da vítima, a divisão de tarefas e o uso de carros alugados para suporte à execução e fuga. Veículos locados por Machado em uma empresa específica já haviam sido encontrados em outras situações envolvendo membros do grupo, inclusive em uma ocorrência onde R$ 100 mil foram apreendidos em um desses carros.
Papel dos Acusados e Defesa de Adilsinho
De acordo com o delegado, Cezar Daniel Mondêgo de Souza (Russo) foi o responsável por monitorar os passos de Rodrigo Crespo. Eduardo Sobreira de Moraes teria dirigido o carro que acompanhava a vítima, enquanto Leandro Machado alugou os veículos utilizados no crime. Assis também mencionou que Machado teria assumido um papel semelhante ao de Rafael Nascimento Dutra, o “Sem Alma”, dentro da estrutura ligada a Adilsinho. Em nota, a defesa de Adilsinho nega qualquer envolvimento com os fatos e critica a investigação por “visão de túnel”, alegando que elementos que não se encaixam na hipótese de vinculação com Adilsinho estão sendo desconsiderados.
O Processo Judicial e Qualificadoras do Crime
O julgamento contará com 15 jurados sorteados, que definirão a sentença. Serão ouvidas testemunhas, seguidas pelos depoimentos dos acusados. O Ministério Público e a defesa apresentarão suas alegações finais. O crime é qualificado por motivo torpe (ligado à atuação de organização criminosa em apostas online), emboscada (disparos pelas costas), para assegurar a execução ou vantagem de outros crimes e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito (pistola calibre 9mm). Adilsinho, embora investigado, não será julgado nesta quinta-feira, pois foi preso em outras investigações recentemente. Sua defesa também refuta qualquer ligação com os eventos.

