Vazamento de Contrato Expõe Controle da Globo sobre Participantes do BBB 26
Um contrato sigiloso firmado entre a TV Globo e os participantes do Big Brother Brasil 26 foi exposto por Pedro Henrique Espíndola, ex-BBB desclassificado após um incidente de assédio. O documento, parte de um processo judicial movido pelo participante, detalha cláusulas rigorosas sobre confidencialidade, remuneração, acordos publicitários e controle de redes sociais. A emissora estabelece um protocolo de confidencialidade que abrange desde o valor recebido até a forma como informações pessoais e do mundo exterior chegam aos confinados.
Uso de Imagem para Treinamento de IA e Restrição de Comunicação
Um dos pontos mais controversos do contrato é a autorização concedida à Globo para utilizar o nome, imagem e voz dos participantes no treinamento de ferramentas de inteligência artificial, um direito considerado universal e irrevogável. Além disso, a emissora proíbe terminantemente qualquer contato externo, mesmo em situações de extrema urgência, e o bloqueio de informações pessoais de familiares e amigos. A ocultação de fatos relevantes, tanto nacionais quanto internacionais, é uma prática comum. Em casos drásticos, como a morte de um ente querido, a Globo se reserva o direito de decidir se e como a notícia será comunicada ao participante.
Detalhes Financeiros e Publicitários do Reality
O contrato estabelece uma ajuda de custo fixa de R$ 10.500,00, paga em parcela única, e um bônus de permanência de R$ 500,00 por semana em que o participante escapar do paredão. Candidatos selecionados para o programa, mas que não chegam a entrar na casa, recebem uma taxa de desclassificação prévia de R$ 1.631,00. A emissora não se responsabiliza pela entrega de prêmios de patrocinadores. Participantes podem manter outras atividades profissionais, desde que não haja conflito com a Globo ou a agenda do reality. A emissora também se reserva o direito de criar conteúdos humorísticos a partir de edições, animações ou dublagens da voz dos participantes. Contratos com marcas externas ao programa são proibidos durante a participação, e 40% do valor arrecadado com publicidade é destinado à agência VIU Agenciamento, ligada à emissora.
Restrições de Conteúdo e Sigilo Perpétuo
O contrato é explícito ao proibir agressões físicas, assédio moral ou sexual, sob pena de expulsão imediata. Ademais, é vedado qualquer tipo de viés político-partidário ou religioso dentro da casa. A emissora impõe um sigilo perpétuo sobre todos os detalhes da produção e da participação, proibindo a revelação de qualquer informação antes ou após a divulgação oficial do programa. Administradores de redes sociais de participantes podem postar, no máximo, dois vídeos de um minuto por hora, extraídos do Globoplay ou da TV.

