Plano visa expor adversários e reforçar interesses americanos
O Departamento de Estado dos Estados Unidos instruiu suas representações diplomáticas ao redor do mundo a iniciarem campanhas conjuntas contra a propaganda estrangeira e a desinformação. A orientação, revelada pelo jornal britânico The Guardian, detalha um conjunto de ações para combater o que o governo americano considera tentativas de outros países de prejudicar seus interesses internacionais.
Cooperação com o Pentágono e ‘American Spaces’ como plataformas
O plano inclui a cooperação com a unidade de operações psicológicas das Forças Armadas dos EUA, conhecida como MISO (Military Information Support Operations). O objetivo é neutralizar mensagens hostis, ampliar o acesso à informação, expor ações de adversários, promover vozes locais alinhadas aos interesses americanos e fortalecer a narrativa institucional do país. Para isso, as embaixadas deverão recrutar influenciadores, acadêmicos e líderes comunitários para disseminar conteúdos que pareçam orgânicos e não diretamente ligados ao governo dos EUA. Além disso, mais de 700 centros culturais americanos, os ‘American Spaces’, serão reposicionados como plataformas de acesso à informação sem censura e zonas de liberdade de expressão.
Plataforma X é apontada como ferramenta ‘inovadora’
As diretrizes também recomendam o uso da plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, como uma ferramenta “inovadora” nesse esforço. A menção à rede social de Elon Musk surge em um contexto de crescentes críticas internacionais. Recentemente, a União Europeia multou a plataforma em 120 milhões de euros com base na Lei de Serviços Digitais e mantém investigações sobre seus sistemas de inteligência artificial e algoritmos de recomendação.
Ameaça à segurança nacional e objetivos claros
Segundo o comunicado interno, as campanhas de desinformação buscam “transferir a culpa para os Estados Unidos, semear divisão entre aliados, promover visões de mundo alternativas antitéticas aos interesses da América e até mesmo minar os interesses econômicos e liberdades políticas americanos”. O governo americano considera essas ações uma ameaça direta à segurança nacional.

