Projeto Araxá ganha força com cooperação internacional para avanço em terras raras. A mineradora australiana St George Mining anunciou uma nova parceria internacional para o seu Projeto Araxá, localizado em Minas Gerais. A empresa firmou um memorando de entendimento com a espanhola Técnicas Reunidas, líder do projeto europeu PERMANET. Esta iniciativa, financiada pela União Europeia, busca estabelecer a primeira cadeia de valor do continente para a produção de ímãs permanentes. Testes de processamento abrem caminho para agregação de valor no Brasil. A colaboração prevê a realização de testes com amostras de terras raras provenientes de Araxá. O objetivo é determinar a rota industrial mais eficiente e identificar os produtos com maior potencial de agregação de valor ao longo da cadeia produtiva. As avaliações consideram desde a produção de concentrados ou carbonatos mistos até etapas mais avançadas, como a separação de óxidos de neodímio e praseodímio, essenciais para ímãs de alto desempenho. Esses testes são cruciais, pois vão além da extração mineral, focando no desenvolvimento da etapa industrial subsequente. A St George busca definir até que ponto o processamento poderá ser realizado no Brasil, o que impacta diretamente o valor do projeto, o perfil dos compradores e a inserção de Araxá em cadeias estratégicas globais, reduzindo a dependência da China. Parceria europeia alinha projeto mineiro a interesses estratégicos globais. A entrada da Técnicas Reunidas reforça a projeção internacional do Projeto Araxá. A empresa espanhola coordena o PERMANET, que envolve 32 parceiros em 12 países, com o intuito de estruturar uma cadeia europeia de suprimento de terras raras e ímãs permanentes. Para a St George, essa parceria facilita o acesso a futuros mercados europeus em um momento em que Europa e Estados Unidos buscam ativamente diminuir a dependência da China nas etapas mais críticas da cadeia de terras raras. Essa estratégia se alinha ao discurso do governo brasileiro de aumentar a agregação de valor de minerais críticos em território nacional. A produção de compostos mistos de terras raras já representa um avanço industrial significativo, exigindo processamento químico e reduzindo o volume de material bruto exportado. A separação de óxidos individuais, por sua vez, representa um domínio tecnológico mais restrito, gerando insumos para setores como veículos elétricos, turbinas eólicas e defesa. Araxá atrai interesse de EUA e Brasil, fortalecendo ecossistema nacional. O movimento europeu se soma a outras articulações já em andamento. A St George negocia com a americana REalloys um possível contrato de compra futura que pode abranger até 40% da produção de terras raras do empreendimento, visando inserir o projeto em cadeias industriais ligadas aos Estados Unidos. No Brasil, o Projeto Araxá se aproxima da iniciativa MagBras, um projeto nacional com o apoio do SENAI e BNDES, focado no desenvolvimento da cadeia de ímãs permanentes de terras raras, buscando reduzir a dependência externa no elo mais nobre dessa cadeia produtiva. Com 70,91 milhões de toneladas de recursos, o depósito de Araxá combina terras raras e nióbio. O teor médio de 4,06% de terras raras é considerado elevado para projetos fora da China, que atualmente domina o processamento global desses minerais. Novas perfurações previstas indicam potencial para aumento desses recursos.