Fim Da Escala 6×1: Estudo Do Governo Aponta Aumento De Custos De 4,7%, Mas Sem “disrupção” Na Economia

Fim da escala 6×1: Estudo do governo aponta aumento de custos de 4,7%, mas sem “disrupção” na economia

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Mercado já absorveu dois dias de descanso, diz estudo

Um estudo da área técnica do Ministério do Trabalho aponta que o fim da escala 6×1 e a limitação da jornada semanal a 40 horas devem gerar um aumento de 4,7% nos custos com folha de pagamento. No entanto, a pesquisa, baseada em dados do e-Social e inteligência artificial, defende que a medida não causará “disrupção” na economia, pois o mercado de trabalho brasileiro já “absorveu o modelo de dois dias de descanso” na prática. Cerca de dois terços dos trabalhadores já operam em regimes 5×2.

Produtividade e custos indiretos em foco

O documento argumenta que os custos negativos da jornada extensa atual são, em parte, indiretos e de difícil cálculo, como maior incidência de afastamentos por saúde, acidentes de trabalho, absenteísmo e rotatividade. A redução da jornada seria vista como uma reorganização do tempo de trabalho que pode melhorar o desempenho médio do trabalhador, aumentando a produtividade. Embora o ganho de produtividade não esteja quantificado no estudo, ele é apontado como capaz de compensar parte do aumento de custos.

Impacto variável entre setores e a necessidade de negociação

O estudo reconhece que o impacto da mudança variará significativamente entre os setores, especialmente aqueles intensivos em mão de obra ou com escalas contínuas, como comércio e serviços. A adaptação exigirá um papel forte da negociação coletiva para ajustar escalas e jornadas. Setores como transporte aéreo, alojamento, alimentação e comércio apresentam maior dependência da escala 6×1. Em termos de aumento de custos, os setores de transporte aquaviário e alimentos lideram as projeções, seguidos por construção, agropecuária e comércio.

Governo busca reposicionar debate e enfrenta resistência empresarial

A pasta liderada pelo ministro Luiz Marinho tenta reposicionar o debate sobre a redução da jornada, deslocando-o de uma agenda trabalhista para uma política de produtividade e modernização. Contudo, o setor empresarial expressa preocupação com o aumento de custos e a escassez de mão de obra. Entidades como a CNI e a CBIC defendem uma discussão mais ampla e calibrada, alertando para riscos de aumento de custos, redução de contratações e repasse de preços ao consumidor. O governo, diante da aproximação do calendário eleitoral e buscando aumentar sua aprovação, tende a investir na agenda de redução de jornada, vista como de apelo popular.

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