Novo Comitê Amplia Participação e Foco Preventivo
O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), anunciou a reformulação da Unidade de Gestão de Integridade (UGI). A medida, publicada no Diário Oficial, visa fortalecer os procedimentos internos para a detecção de fraudes, corrupção e desvios éticos na administração pública. A reestruturação ocorre em resposta à recente descoberta de um esquema de corrupção em departamentos da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP).
A nova composição da UGI agora inclui membros das três principais instituições policiais do estado: Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Técnico-Científica. A seleção dos novos integrantes foi baseada em critérios rigorosos de experiência, capacitação técnica e reputação dentro de suas respectivas corporações.
Delegada com Ampla Experiência Lidera a Nova Unidade
A delegada Alexandra Comar de Agostini foi nomeada para coordenar a pasta. Com mais de 30 anos de experiência, atuando na Corregedoria da Polícia Civil e na Controladoria-Geral do Estado, Agostini destacou o caráter preventivo da nova UGI. “A Corregedoria de cada polícia entra em ação quando o policial já cometeu uma infração ou um crime. Já a Unidade de Gestão de Integridade atua antes disso. É um trabalho preventivo, para evitar que essas práticas aconteçam”, explicou a delegada.
O objetivo principal, segundo Agostini, é atuar na prevenção de condutas inadequadas por parte dos agentes, com a finalidade de restaurar e fortalecer a confiança da população nas forças de segurança pública.
Investigação Revela Esquema Criminoso em Departamentos da PCESP
A reestruturação da UGI foi deflagrada após a Operação Baltazar, realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo. A operação cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão contra indivíduos envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro em departamentos da Polícia Civil. Nove pessoas foram presas até o momento, incluindo investigadores, escrivães, um delegado, a ex-contadora de Alberto Yousseff, Meire Poza, e membros de organizações criminosas.
As investigações apontam que o esquema atuava no controle de unidades como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e o 16º Distrito Policial (Vila Clementino). Os envolvidos realizavam pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de fraudes processuais, manipulação de investigações e destruição de provas.
Contexto Nacional: Casos de Corrupção Policial em Destaque
O caso em São Paulo se soma a outras recentes operações contra a corrupção policial no país. No Rio de Janeiro, mais de 30 policiais foram presos em uma ação integrada que desarticulou esquemas de corrupção, proteção a atividades ilegais e colaboração com o crime organizado. A operação, conduzida pela Polícia Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro e Polícia Civil estadual, resultou na prisão de delegados e policiais civis e militares.
As investigações indicam que o grupo utilizava informações privilegiadas e influência dentro do aparato estatal para beneficiar criminosos em troca de vantagens financeiras. Foram apreendidos R$ 50 mil em espécie, armas, munições e outros materiais. Em outra frente, três policiais foram detidos sob suspeita de extorquir membros do Comando Vermelho (CV) para omitir ações policiais.

