Morre Country Joe Mcdonald, ícone Do Protesto Anti Guerra Do Vietnã E Estrela De Woodstock, Aos 84 Anos

Morre Country Joe McDonald, ícone do protesto anti-Guerra do Vietnã e estrela de Woodstock, aos 84 anos

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O Legado de um Rebelde Musical

Country Joe McDonald, figura proeminente da contracultura dos anos 60 e autor de um dos mais pungentes hinos anti-Guerra do Vietnã, faleceu no último sábado (7) aos 84 anos, devido a complicações da doença de Parkinson. Sua apresentação no Festival de Woodstock em 1969, onde liderou uma multidão de 400 mil pessoas em um coro subversivo antes de entoar sua famosa canção satírica “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-To-Die Rag”, marcou profundamente a história da música e do ativismo.

Líder da banda Country Joe and the Fish, McDonald foi um dos pioneiros do rock psicodélico emergente da região da Baía de São Francisco. Após o fim do grupo em 1970, ele trilhou uma extensa carreira solo, lançando dezenas de álbuns em diversos estilos ao longo de décadas.

Woodstock e a “Fish Cheer” que Ecoou pelo Mundo

A imagem de McDonald em Woodstock, imortalizada pelo filme e pela trilha sonora do festival, foi moldada por sua performance ousada. Ao substituir o refrão original de “The Fish Cheer” por um palavrão provocativo, ele transformou a canção em um poderoso símbolo de protesto. “Desde o momento em que eu gritei ‘Give us an F…’, aquilo virou um momento folk de protesto”, declarou McDonald em 2002, comparando sua atitude confrontadora à de Kurt Cobain.

Os álbuns do Country Joe and the Fish refletiam o experimentalismo e a politização da cena psicodélica da época, mesclando distorções de guitarra e referências a drogas com melodias incomuns, letras excêntricas e influências de ragtime, folk tradicional e vanguarda. Canções como “Not So Sweet Martha Lorraine” e “Superbird”, que satirizava o presidente Lyndon B. Johnson, demonstravam a veia crítica e imaginativa de McDonald.

Da Política às Raízes Folk

Apesar de dois álbuns do Country Joe and the Fish terem alcançado o Top 40 da Billboard, a banda não obteve o mesmo sucesso comercial de contemporâneos como Jefferson Airplane ou Grateful Dead. No entanto, McDonald manteve-se fiel à sua visão artística e temática. Mesmo após o fim da Guerra do Vietnã, ele continuou a abordar seus efeitos e legado, como em seu álbum de 1986, “Vietnam Experience”.

Nascido Joseph Allen McDonald em 1942, filho de membros do Partido Comunista, sua infância foi marcada por um ambiente isolado e influências políticas. Aprendeu a tocar violão com o pai e, ainda adolescente, testemunhou o impacto da perseguição anticomunista quando seu pai foi convocado a depor perante o Comitê de Atividades Antiamericanas.

O Início de uma Carreira Rebelde

Após servir na Marinha, McDonald mudou-se para Berkeley, onde se envolveu com o Movimento pela Liberdade de Expressão. Fundou a revista underground Rag Baby antes de formar o Country Joe and the Fish em 1965. O nome da banda, uma referência irônica a Josef Stalin e Mao Tsé-Tung, prenunciava a natureza contestadora de sua música.

A canção “Fixin’-to-Die”, inicialmente em versão acústica, foi concebida como uma crítica à guerra com a irreverência do rock. A banda eletrificou seu som e assinou com a Vanguard Records. O produtor Samuel Charters hesitou em incluir “Fixin'” no álbum de estreia, temendo o boicote das rádios. A famosa troca de palavras na “Fish Cheer” em shows posteriores gerou controvérsia, resultando em acusações de obscenidade e até no cancelamento da participação do grupo no Ed Sullivan Show.

Um Legado Além da Fama Comercial

O fim do Country Joe and the Fish em 1970 abriu caminho para a prolífica carreira solo de McDonald. Seus álbuns posteriores, como “Paris Sessions” (1973) e “War War War”, exploraram temas como feminismo e a obra de poetas, mantendo a profundidade lírica e imaginativa de seu trabalho anterior. Em 2017, celebrou meio século de carreira com o álbum “50”.

McDonald deixou cinco filhos de seus quatro casamentos. Sua obra, marcada pela crítica social, pelo humor ácido e pela busca incessante pela liberdade de expressão, continua a ressoar, provando que sua música foi muito mais do que um hino de protesto: foi um reflexo de seu tempo e um legado duradouro.

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