Remédios para obesidade: um dilema de acesso e preço
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, abordou a questão da obesidade no Brasil, um problema que afeta mais de 60% da população adulta. Ele destacou que, embora medicamentos como a semaglutida (princípio ativo de Ozempic e Wegovy) sejam eficazes, seus preços são proibitivos. A expiração da patente da semaglutida este mês abre a possibilidade de drogas mais baratas, mas o ministro ressalta que o acesso a esses tratamentos é apenas uma parte da solução.
Estratégias do Ministério da Saúde para combater a obesidade
Padilha delineou três eixos de atuação do Ministério da Saúde: a política de prevenção através da estratégia “Viva Mais Brasil”, o estímulo à produção nacional e ao domínio tecnológico dos medicamentos, e a futura implantação da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministério estuda a inclusão da semaglutida no SUS para grupos específicos, como pacientes com obesidade avançada e comorbidades, ou aqueles em preparo para cirurgia bariátrica. Atualmente, nenhum medicamento para controle de peso é oferecido gratuitamente pelo SUS.
Produção nacional e redução de preços
O governo federal incentiva a produção nacional de medicamentos para controle de peso e diabetes, com um edital da Anvisa priorizando o registro de liraglutida e semaglutida. O objetivo é que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem a tecnologia de peptídeos sintéticos, a base dessas drogas. Padilha acredita que o aumento da concorrência, com a entrada de mais empresas no mercado, levará à queda dos preços. Já há 14 empresas com pedidos em análise pela Anvisa, e três brasileiras firmaram parcerias com empresas indianas para produção.
Obesidade como questão de saúde pública e a importância da prevenção
O ministro enfatizou que a obesidade deve ser encarada como um grave problema de saúde pública, e não apenas uma questão estética. Ele ressaltou a necessidade de uma abordagem integrada, que vá além do acesso a medicamentos e inclua políticas de prevenção. A estratégia “Viva Mais Brasil” investe R$ 340 milhões na promoção da alimentação saudável e atividade física, com foco na atenção primária. Medidas como a taxação de bebidas açucaradas, a redução de impostos sobre alimentos saudáveis e a exclusão de ultraprocessados da merenda escolar são consideradas essenciais para reverter o quadro, que tem visto um aumento alarmante nos índices de sobrepeso e obesidade infantil e adulta.

