Novo relatório revela causa provável para encalhe em massa
Um incidente chocante ocorrido em 16 de julho de 2023, quando 55 baleias-piloto-de-aleta-longa encalharam na Baía de Tolsta, na Escócia, pode ter tido uma causa inesperada e trágica: um parto complicado. Detalhes da investigação foram divulgados recentemente com a conclusão de um relatório elaborado pelo Scottish Marine Animal Stranding Scheme (SMASS).
Saúde geral dos animais era boa, mas um fator social mudou o curso dos eventos
Inicialmente, diversas hipóteses foram consideradas para explicar o encalhe em massa, incluindo trauma, doenças ou perturbações acústicas causadas por atividades industriais. No entanto, o relatório do SMASS indicou que os animais estavam, em geral, em bom estado de saúde. A principal constatação da investigação foi que uma fêmea adulta da espécie estava passando por um parto difícil. Os cientistas acreditam que a forte coesão social, característica marcante das baleias-piloto, levou todo o grupo a seguir a fêmea em perigo para águas rasas, culminando no encalhe.
Comportamento social e ambiente marinho se uniram em um evento fatal
As baleias-piloto-de-aleta-longa são, na verdade, golfinhos de grande porte. O local do encalhe, a Baía de Tolsta, apresentava condições ambientais desafiadoras na ocasião, com ondas geradas pelo vento e um substrato de areia fina na praia. Dr. Andrew Brownlow, cientista-chefe da investigação, destacou à BBC que encalhes em massa raramente são resultado de uma única causa. “Em vez disso, surgem da interseção da fisiologia individual, do comportamento social do grupo e das condições ambientais marinhas externas”, explicou.
A união que leva à proteção, mas que pode ser fatal
O especialista ressaltou que os indivíduos desta espécie tendem a se unir em momentos de dificuldade, uma estratégia de sobrevivência que visa a proteção mútua, seja contra predadores ou em apoio a um membro doente ou ferido. “Se um membro do grupo estivesse em perigo, a coesão social bem documentada dessa espécie teria levado os outros a se agruparem em uma resposta protetora”, afirmou Dr. Brownlow. Infelizmente, essa mesma característica, em circunstâncias adversas, pode ter sido a responsável pela trágica morte dos 55 animais, que foram submetidos à eutanásia para evitar sofrimento adicional.

