PF aponta Junior Mano como líder de rede de corrupção
A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dossiê com conclusões de uma investigação que aponta o deputado federal cearense Junior Mano (PSB) como chefe de uma complexa rede de corrupção. Segundo a PF, o esquema, que teria operado entre 2020 e 2025, desviou cerca de R$ 800 milhões de emendas do orçamento secreto, prática que se estendeu desde o governo Bolsonaro até o atual governo Lula. As provas, que incluem mensagens de WhatsApp, e-mails e planilhas, detalham como Junior Mano teria estruturado e gerenciado a organização criminosa.
Esquema envolvia políticos de todas as esferas
A investigação sugere que a rede criminosa tinha alcance em todas as instâncias da política cearense. Mensagens interceptadas pela PF e analisadas pelo ministro Gilmar Mendes revelam a influência de Junior Mano em Brasília e no governo do Ceará, com citações de diálogos envolvendo o governador Elmano Freitas, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, os deputados federais José Guimarães e Yuri do Paredão, e até mesmo o cantor Wesley Safadão. O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também é mencionado em conversas sobre questões políticas de interesse do deputado.
Desvio de verbas e controle de prefeituras
De acordo com a PF, o dinheiro desviado das emendas orçamentárias foi utilizado para financiar candidaturas de prefeitos em mais de cinquenta municípios cearenses. Após a eleição de seus aliados, Junior Mano teria estabelecido controle sobre as prefeituras, direcionando licitações para empresas ligadas ao grupo criminoso, que, por sua vez, desviavam os recursos. O esquema envolvia a liberação de emendas em Brasília, a formalização de contratos fraudulentos com prefeituras e o subsequente desvio de verbas. Relatos indicam que propinas eram pagas a políticos, operadores e até a jornalistas para garantir a cobertura favorável ou a omissão de críticas ao grupo político.
Investigação aponta para crimes eleitorais e lavagem de dinheiro
As provas enviadas ao STF apontam para indícios de crimes como organização criminosa com fins eleitorais, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. A PF detalha que o esquema operava com base em um investimento eleitoral contínuo, onde recursos de origem suspeita eram mobilizados para firmar alianças políticas e dar suporte a candidaturas específicas, visando garantir vantagens e controle político sobre administrações municipais estratégicas. A investigação aponta que a estrutura criminosa movimentou R$ 800 milhões através de 16 empresas vinculadas à organização.

