Reinauguração Do Estádio Azteca: Empate Sem Gols, Morte De Torcedor E Ondas De Protestos Marcam Noite De Estreia Da Arena Banorte

Reinauguração do Estádio Azteca: Empate Sem Gols, Morte de Torcedor e Ondas de Protestos Marcam Noite de Estreia da Arena Banorte

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A aguardada reinauguração do Estádio Azteca, agora oficialmente conhecido como Arena Banorte, transformou-se em um evento de sentimentos contrastantes neste sábado (28). Mais de oitenta mil torcedores testemunharam um empate sem gols entre as seleções do México e de Portugal, mas a noite foi ofuscada pela trágica morte de um espectador e por uma série de manifestações sociais que ecoaram nos arredores do estádio.

Tragédia Marcou o Retorno do Gigante

A Secretaria de Segurança Civil informou que um homem de aproximadamente 27 anos veio a óbito após cair de uma área de camarotes. Segundo relatos preliminares, o torcedor, que estaria embriagado, tentou descer do segundo para o primeiro nível saltando pela parte externa. Isso resultou em sua queda até o térreo, onde foi prontamente atendido por equipes médicas, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos.

Vozes nas Ruas: Os Protestos Sociais

Horas antes do pontapé inicial, os arredores do estádio se tornaram palco para diversas causas sociais. Mães de desaparecidos, ativistas contra a gentrificação, defensores da legalização da maconha e grupos pelos direitos dos animais uniram-se para dar visibilidade às suas lutas. Brenda Valenzuela, 43 anos, protestava em frente ao Estádio Azteca com uma grande faixa com a foto de seu filho, Carlos Galván, desaparecido em 5 de outubro de 2025. Ela destacou a escolha do local pela “visibilidade imensa” que o evento proporciona, classificando como “inaceitável” sediar um evento esportivo global enquanto milhares de mães enfrentam a tragédia do desaparecimento de seus filhos.

Outro grupo de cerca de 30 mães de pessoas desaparecidas da região sul de Ajusco, nas proximidades do estádio, chegou portando cartazes em espanhol, inglês e português, acompanhados de palavras de ordem como “México: Campeão em desaparecimentos!” e “Parem de jogar com a nossa dor!”. O coletivo, escoltado por aproximadamente 50 policiais montados e vários outros a pé, denunciou o fato de que quase 300 pessoas desapareceram num raio de 15 quilômetros do Estádio Azteca e traçou um paralelo com a situação no Estádio Akron, sede da Copa do Mundo em Guadalajara, onde valas clandestinas foram descobertas na área circundante. Funcionários do governo da capital cercaram os manifestantes em uma manobra que, segundo a AFP, parecia ter sido concebida para reduzir a visibilidade do grupo.

O Jogo: Empate, Gritos e Ausências Notáveis

Dentro das quatro linhas, a partida ficou aquém das expectativas, com um 0 a 0 que decepcionou os mais de 80 mil presentes. O técnico de Portugal, Roberto Martínez, tentou amenizar: “A partida precisava de um gol para que se abrisse. Para os torcedores, não foi o jogo mais empolgante, mas, taticamente, foi excelente”. O México criou diversas chances, mas a impaciência da torcida se manifestou com gritos homofóbicos após cobranças de tiro de meta dos goleiros Raúl Rangel, do México, e Rui Silva, de Portugal. Em uma tentativa de abafar esses cânticos, um problema recorrente que já resultou em sanções contra a federação local, o sistema de som do estádio tocou a tradicional canção mexicana ‘Cielito Lindo’.

Os momentos mais emocionantes do jogo foram os aplausos ao meio-campista espanhol naturalizado mexicano Álvaro Fidalgo, que estreou pela seleção, e a Armando González, artilheiro do Guadalajara. “Individualmente, todos corresponderam. Gostei da personalidade do Fidalgo, de sua vontade de buscar a bola. Ele fez boas conduções”, disse Javier Aguirre, técnico do México. Do lado português, Paulinho, ex-artilheiro no futebol mexicano, recebeu uma calorosa recepção. A grande ausência sentida, no entanto, foi a do astro Cristiano Ronaldo. “Ele não veio porque é um metido”, disse à AFP José María Díaz, de sete anos, enquanto Luis Camarena, de 40, lamentou: “As crianças queriam vê-lo. Estamos tristes”.

Arena Banorte: Um Novo Nome para um Velho Gigante

A principal novidade estrutural foi a presença onipresente da marca Banorte, que agora dá nome ao estádio após um patrocínio de 116 milhões de dólares (cerca de R$ 607 milhões na cotação atual) em 2025 para as reformas visando a Copa do Mundo de 2026. A mudança, no entanto, dividiu opiniões em sua reabertura. “Eu não gosto. Para mim, será sempre o Estádio Azteca, por tradição”, afirmou Jessica Alcocer, de 45 anos. Já Claudia Morales, 58, aprovou: “Na verdade, eu gosto. Um nome novo combina bem com o estádio reformado”.

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