Botafogo entra com ações judiciais contra o Lyon
O Botafogo protocolou, na última sexta-feira (véspera de divulgar a nota oficial), ações na Justiça contra o Olympique Lyonnais, da França, para cobrar dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. Os valores referem-se a empréstimos realizados pelo clube carioca ao time francês. Em comunicado, o alvinegro afirmou que a inadimplência do Lyon “gerou impactos diretos na operação” do Botafogo, “comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas”.
Entenda a origem da dívida e os conflitos no Grupo Eagle
De acordo com o Botafogo, a situação começou em um contexto em que o Lyon enfrentava “situação de insolvência no final de 2022”, com dívidas bancárias e ameaças de sanções na França. Diante disso, o clube brasileiro realizou “aportes financeiros sucessivos, totalizando mais de R$ 745 milhões, a título de empréstimos, com a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas”. No entanto, o clube alega que, após conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidência do Lyon “rompeu unilateralmente o acordo de colaboração” e deixou de cumprir as obrigações, recusando-se a pagar a dívida.
Impactos no Botafogo: Transferban e atrasos financeiros
O Botafogo destaca que a inadimplência do Lyon é uma das causas do transferban (punição da FIFA que impede o registro de novos jogadores) sofrido pelo clube no final do ano passado. Além disso, o clube carioca tem enfrentado atrasos em direitos de imagem de atletas e no pagamento do FGTS, o que já ocorreu duas vezes neste ano, gerando incertezas e afetando a gestão financeira e esportiva.
Afastamento de John Textor e intervenção judicial
A situação se agravou com o afastamento de John Textor, então líder do Grupo Eagle, da direção da Eagle Bidco, empresa que detém participação na SAF do Botafogo e no Lyon. A Ares Capital Corporation, principal credora da Eagle, indicou a consultoria Cork Gully LLP para administrar a subsidiária financeira do grupo. A medida foi tomada após alegações de má gestão e falta de conformidade regulatória por parte de Textor. Com a intervenção, o controle da Eagle Bidco passou para os administradores judiciais, que agora gerenciam a empresa.

