EUA criticam OTAN por falta de apoio em conflito com o Irã
Casa Branca expressa decepção com aliados e ameaça reavaliar participação na aliança militar.
Críticas e reuniões em Washington
A Casa Branca lançou críticas contundentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), principal aliança militar ocidental, acusando-a de falhar em oferecer o suporte esperado pelos Estados Unidos no conflito contra o Irã. A declaração da porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, ocorreu horas antes de um encontro agendado entre o presidente Donald Trump e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em Washington. Segundo Leavitt, Trump considera que os países membros da aliança foram “postos à prova e falharam” nas últimas semanas, demonstrando uma decepção profunda com a ausência de apoio.
Possível saída e realocação de tropas
A porta-voz americana declarou que a OTAN “deu as costas ao povo americano justamente quando esse mesmo povo financia sua defesa”, e não descartou a possibilidade de os Estados Unidos reavaliarem sua participação na aliança. O tema, segundo ela, já foi levantado por Trump e poderia ser discutido na reunião com Rutte. Informações do jornal The Wall Street Journal indicam que o presidente americano também estuda medidas para pressionar os aliados, incluindo a transferência de tropas americanas de países que não ofereceram apoio para nações mais dispostas, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia.
Divergências na Europa
A postura dos Estados Unidos contrasta com as declarações de alguns líderes europeus. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o país “não será arrastado para uma guerra mais ampla” contra o Irã, embora o diálogo com aliados sobre a segurança do estreito continue. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou concordância quanto à necessidade de o Irã não representar uma ameaça, mas questionou a estratégia por trás da ofensiva liderada pelos EUA e Israel. Merz destacou a falta de consulta prévia e a ausência de um plano convincente para o sucesso da operação, afirmando que a Alemanha não participará de ações militares para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz enquanto a guerra perdurar. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também apontou a falta de consulta e clareza na estratégia americana, indicando que os países do bloco não têm interesse em expandir sua atuação militar na região.
Contexto da OTAN e pressões americanas
Apesar das tensões, o presidente Trump tem um histórico de elogios ao secretário-geral da OTAN. No entanto, as cobranças por maior participação dos aliados, tanto em financiamento quanto em apoio operacional, têm sido uma constante em sua gestão. Em 2025, os países membros aprovaram um aumento significativo nos gastos com defesa, com metas estabelecidas até 2035. Contudo, o governo americano mantém o tom crítico, especialmente diante da atual ofensiva contra o Irã, ressaltando o papel central dos EUA na estrutura militar da OTAN desde sua fundação em 1949.

