Um Ato de Coragem Cinematográfica
O impactante filme “A Voz de Hind Rajab”, que representou a Tunísia na disputa pelo Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, agora está disponível para o público em plataformas de streaming. Dirigido por Kaouther Ben Hania, o longa conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza e traz para as telas a trágica história de Hind Rajab, uma menina palestina de apenas 5 anos, e sua família, vítimas de um ataque de tanque israelense em janeiro de 2024.
A Tragédia em Detalhes
A narrativa do filme reconstitui os eventos em que Hind, seus tios e quatro primos tentavam evacuar a cidade de Gaza, seguindo ordens de evacuação das forças israelenses. Segundo investigações da Forensic Architecture, o carro em que estavam foi alvo de 335 tiros de tanque, resultando na morte de todos os sete ocupantes. O filme utiliza recursos documentais e gravações telefônicas reais do dia do ataque, incluindo os momentos em que Hind e sua prima Layan Hamadeh, de 15 anos, conseguiram contato com o Crescente Vermelho para pedir socorro.
A Luta por Resgate e a Burocracia da Guerra
As gravações telefônicas apresentadas no filme revelam a mobilização das equipes de resgate e a angustiante espera de Hind, que ficou sozinha por mais de três horas após Layan também ser assassinada. A obra expõe as dificuldades e a burocracia enfrentadas pelas equipes de emergência para acessar áreas controladas por Israel em Gaza, destacando ainda que serviços médicos e de resgate também se tornaram alvos. Especialistas da ONU declararam que o assassinato de Hind Rajab pode ser considerado um crime de guerra, mas até o momento, ninguém foi responsabilizado criminalmente.
A Voz que Não Pode Ser Bloqueada
O filme está acessível no catálogo do Filmelier+, sem custo adicional para assinantes, e também pode ser alugado ou acessado via assinatura no Prime Video. O ator Motaz Malhees, que interpreta um voluntário do Crescente Vermelho, teve sua entrada nos Estados Unidos negada devido à sua nacionalidade palestina, impedindo sua participação na cerimônia do Oscar. Em uma mensagem nas redes sociais, Malhees expressou sua dor, mas reafirmou a força da história: “Vocês podem bloquear um passaporte. Não podem bloquear uma voz. Sou palestino e permaneço com orgulho e dignidade. Nosso filme é maior do que qualquer barreira, e será ouvido.”

