Economia brasileira em expansão, mas em ritmo controlado
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou uma alta de 0,6% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, segundo dados ajustados sazonalmente divulgados pelo Banco Central. O resultado reforça a percepção de que a economia do país continua em trajetória de expansão no início do ano, embora em um ritmo mais moderado. A indústria foi o principal motor desse avanço, com um crescimento de 1,2%, seguida pelo setor de serviços, que registrou alta de 0,3%, e pela agropecuária, com 0,2%.
Desempenho trimestral e anual indicam resiliência
No trimestre encerrado em fevereiro, o IBC-Br acumulou uma elevação de 1,1% em relação aos três meses anteriores. Em uma perspectiva de 12 meses, o crescimento alcançou 1,9%. Para Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, o dado veio dentro das expectativas e confirma a resiliência da atividade econômica. “O IBC-Br subiu 0,6% em relação a janeiro, um dado um pouco mais forte do que a nossa projeção de 0,5%. Mas consideramos que o resultado veio em linha, tanto pela composição, próxima do que esperávamos, quanto pela magnitude do desvio. Seguimos enxergando um PIB crescendo próximo de 1,5% no primeiro trimestre e uma atividade que desacelera, mas continua bastante resiliente”, afirma.
Crescimento técnico sem aceleração estrutural
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, interpreta o resultado como um crescimento técnico, mas sem a força estrutural necessária para uma aceleração mais robusta da economia. “A leitura do IBC-Br reforça um cenário de crescimento técnico, mas sem aceleração estrutural. A alta mensal de 0,6% é consistente, mas, quando combinada com o avanço limitado no acumulado, aponta para uma economia que cresce abaixo do seu potencial”, analisa. Ele também destaca que este cenário tem implicações diretas no mercado de crédito, tornando o ambiente ambíguo para FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). Por um lado, a desaceleração pode aumentar a demanda por financiamentos alternativos, mas, por outro, exige maior rigor na análise de risco devido à pressão sobre a capacidade de pagamento das empresas.
Economia seletiva e oportunidades no crédito estruturado
Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, concorda que o cenário aponta para uma atividade econômica mais seletiva e dependente de setores específicos, como a indústria. “A alta de 0,6% do IBC-Br em fevereiro reforça um cenário de crescimento ainda presente, mas claramente mais seletivo e dependente de setores específicos, como a indústria. Quando se observa a desaceleração e o avanço modesto no acumulado, o dado passa a indicar uma economia que cresce com menor intensidade”, observa. Assis ressalta que, em um ambiente de crescimento moderado e juros elevados, o crédito tradicional tende a se tornar mais restritivo, abrindo espaço para soluções de crédito estruturado, como os FIDCs, que oferecem maior flexibilidade em prazos, riscos e fluxos de pagamento, adaptando-se às necessidades reais das empresas.

