Fim das negociações sem acordo permanente
As negociações entre Estados Unidos e Irã, que se estenderam por 21 horas em Islamabad, chegaram ao fim na madrugada de domingo sem um cessar-fogo permanente. Segundo o vice-presidente americano JD Vance, os EUA apresentaram sua “melhor e última proposta”, que foi rejeitada por Teerã. Autoridades iranianas apontaram três principais impasses que impediram um acordo: a reabertura do Estreito de Ormuz, o destino de aproximadamente 900 libras de urânio altamente enriquecido e a exigência iraniana de liberação de cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas no exterior.
Impasse no Estreito de Ormuz e recursos financeiros
Um dos principais pontos de discórdia foi a exigência americana para que o Irã reabrisse imediatamente o Estreito de Ormuz a todo o tráfego marítimo. Teerã, no entanto, recusou-se a ceder sua influência sobre o estratégico ponto de transporte de petróleo, afirmando que só o fará após um acordo de paz definitivo. Adicionalmente, o Irã solicitou reparações pelos danos causados por seis semanas de bombardeios e a liberação de receitas de petróleo retidas em diversos países para financiar a reconstrução, pedidos que foram rejeitados pelos americanos.
Uranio enriquecido e exigências de Trump
Outro entrave significativo foi a exigência do presidente Donald Trump para que o Irã entregasse ou vendesse todo o seu estoque de urânio enriquecido, próximo do nível necessário para armas nucleares. O Irã apresentou uma contraproposta, mas não houve acordo sobre o tema. Mehdi Rahmati, analista em Teerã, comentou que “quando duas equipes sérias, com intenção de fechar um acordo, sentam à mesa, o resultado precisa ser vantajoso para ambos. É irrealista pensar que sairemos disso sem concessões significativas; o mesmo vale para os americanos”.
Quebra de tabu diplomático e esperança de avanço
Apesar da falta de progresso concreto, o simples fato de as reuniões terem ocorrido é visto como um avanço significativo. Apenas seis semanas antes, um ataque aéreo atribuído aos EUA e Israel havia resultado na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, o que tornava um encontro de alto nível entre os dois países algo improvável. A reunião entre Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi a de mais alto nível entre representantes dos dois países desde o rompimento das relações diplomáticas em 1979. Especialistas como Vali Nasr, professor da Universidade Johns Hopkins, veem “um impulso claramente positivo para que as conversas avancem e não colapsem”, refletindo a intenção de ambos os lados de encerrar a guerra.

