Satélite TEE-01B em Foco
Uma investigação do jornal britânico Financial Times aponta que as Forças Armadas iranianas utilizaram um satélite de fabricação chinesa, o TEE-01B, para espionar e planejar ataques contra bases americanas e alvos estratégicos em países do Golfo Pérsico durante o conflito com os EUA e Israel em março. O satélite, fabricado e lançado pela empresa chinesa Earth Eye Co., foi adquirido pelas Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária do Irã em 2024 por cerca de R$ 182 milhões. O acordo incluiria também acesso a softwares e instalações de outra empresa chinesa, a Emposat, para a operação do equipamento.
Monitoramento e Alvos Bombardeados
A investigação, baseada em dados de rastreamento da Força Espacial dos EUA, documentos vazados e imagens de satélite da Agência Espacial Europeia, concluiu que o satélite chinês monitorou pontos específicos em março que, dias antes ou depois de sua passagem em órbita, foram bombardeados. Entre os alvos monitorados estariam a base Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, a base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia, e infraestruturas civis cruciais em países como Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Isso sugere um papel direto do satélite na preparação de ataques ou no monitoramento de danos pós-bombardeio.
China e o Equilíbrio Delicado
A China, embora não seja parte direta do conflito no Oriente Médio, tem sido implicada em discussões sobre a escalada de tensões na região. Fontes de inteligência em Washington citam uma possível disposição chinesa de enviar armas ao Irã, o que motivou ameaças de tarifas por parte do presidente americano Donald Trump. Pequim tem negado categoricamente essas alegações. Historicamente, empresas chinesas foram fornecedoras de armamentos ao Irã, e especialistas creditam a colaboração com a China a avanços significativos na indústria bélica iraniana, especialmente em mísseis. No entanto, após sanções da ONU em 2006, a China teria se afastado de contratos formais de armas, mas continuado a fornecer tecnologias de uso duplo.
Implicações Geopolíticas e Energéticas
Um vínculo direto entre as atividades militares do Irã e a tecnologia chinesa poderia prejudicar os interesses da China nos países do Golfo, com os quais busca estreitar laços. O prolongamento do conflito também tem implicações energéticas, afetando o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural mundial. Um terço das importações de petróleo bruto da China vem do Golfo Pérsico. A instabilidade na região levou a Rússia a se apresentar como alternativa para suprir a demanda energética chinesa, fortalecendo as relações entre Moscou e Pequim.

