Aumento de Preços e Protestos Levam à Gratuidade
O governo do Paquistão anunciou nesta sexta-feira (3) que todo o transporte público estatal na capital, Islamabad, e nas províncias mais populosas do país será gratuito durante o mês de Baril (aproximadamente um mês). A decisão surge como resposta direta ao significativo aumento nos preços dos combustíveis, impulsionado pela guerra em andamento no Oriente Médio.
A medida entra em vigor a partir de sábado e visa oferecer alívio imediato à população, que tem enfrentado longas filas em postos de gasolina e protestos nas ruas. O recente aumento de 42,7% no preço da gasolina, elevando-o para US$ 1,74 por litro, foi o estopim para a ação governamental.
Intervenção do Governo e Ajuste de Preços
Em resposta à crescente insatisfação, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif anunciou na noite de sexta-feira uma reversão parcial da alta. O governo decidiu reduzir o imposto sobre a gasolina, fixando o novo preço em 378 rúpias por litro (aproximadamente US$ 1,36 ou R$ 7,01). Essa redução, segundo Sharif, permanecerá em vigor por pelo menos um mês.
No entanto, o diesel não foi contemplado com a mesma redução. O preço do diesel continuará em 520 rúpias por litro (cerca de US$ 1,87 ou R$ 9,64), após um aumento ainda mais acentuado de 54,9%.
Contexto Global e Medidas de Outros Países
A crise de combustíveis no Paquistão está intrinsecamente ligada à escalada das tensões no Oriente Médio. A guerra comercial entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que se intensificou a partir de 28 de fevereiro, tem impactado o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para um quinto do petróleo bruto mundial. Essa interrupção na oferta global contribui para a volatilidade dos preços.
O Paquistão não é o único país a adotar medidas para mitigar os efeitos da crise energética. Na Austrália, estados como Victoria e Tasmânia implementaram a gratuidade do transporte público por períodos determinados. Em Victoria, trens, bondes e ônibus estão gratuitos durante todo o mês de abril, enquanto na Tasmânia, a medida se estende de segunda-feira até o final de junho, abrangendo também transporte rodoviário e balsas, além de ônibus escolares.
Outras Estratégias de Adaptação
Outras nações têm buscado alternativas para reduzir o consumo de combustíveis e o impacto econômico. O Egito optou por reduzir os horários de funcionamento do comércio e incentivar o trabalho remoto. Na Etiópia, funcionários não essenciais receberam licenças para diminuir os deslocamentos diários. Já as Filipinas declararam emergência nacional, implementando subsídios para motoristas, reduzindo serviços de balsa e adotando a semana de trabalho de quatro dias para servidores públicos.

