Apuração abrange financiamento a aparato repressivo e repressão a greves A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a gestão de Paulo Gonet, iniciou uma série de procedimentos para investigar cinco grandes empresas por sua suposta colaboração com o regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. As ações miram a Embraer, Fiat Automóveis, Usiminas, ArcelorMittal e a siderúrgica Vallourec. O subprocurador-geral Nicolao Dino destacou a "necessidade premente de apurar a colaboração e a cumplicidade empresarial com o aparato repressivo do período ditatorial, visando a efetiva produção probatória e a reparação histórica dos danos". Vallourec e ArcelorMittal sob suspeita de financiar repressão No caso da Vallourec, anteriormente Companhia Siderúrgica Mannesmann, Dino mencionou a existência de "provas robustas sobre o financiamento do aparato repressivo em Minas Gerais". Há indícios de articulações com autoridades estaduais para sustentar o regime e suas práticas repressivas. A ArcelorMittal, antiga Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, também é alvo de investigação. O subprocurador citou a "relevância estratégica e a robustez probatória" do caso, com evidências de colaboração com a ditadura documentadas em pesquisas acadêmicas da Universidade Federal de São Paulo. Usiminas investigada por ligação com Massacre de Ipatinga A Usiminas é apontada como uma investigação de "relevância estratégica" por abranger apurações sobre o Massacre de Ipatinga e a repressão a movimentos grevistas durante o período da ditadura. Fiat e a busca por responsabilidade corporativa Em relação à Fiat, Dino afirmou que a investigação sobre a colaboração empresarial com estruturas de repressão estatal "contribui para o aprimoramento da responsabilidade corporativa, bem como para a construção de parâmetros institucionais de accountability, transparência e reparação integral às vítimas e à coletividade".