Registros de entrada no terminal de aviação executiva do Aeroporto de Brasília revelam que o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, esteve no local no mesmo dia e horário em que o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. O empresário é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustíveis, com possíveis ligações com o PCC.
Encontro no hangar executivo levanta suspeitas
Documentos obtidos pela reportagem indicam que Rueda e Beto Louco tiveram suas entradas registradas no hangar de Brasília às 18h do dia 7 de maio de 2025. O terminal é utilizado por passageiros que utilizam jatinhos. A anotação de entrada é realizada por funcionários do aeroporto com o nome e documento do indivíduo.
Além de Rueda e Beto Louco, a esposa do presidente do União Brasil e o empresário Maurício Ali de Paula, também citado em investigações relacionadas à Operação Carbono Oculto, tiveram suas entradas registradas no mesmo horário. Ali de Paula confirmou sua presença no aeroporto, mas negou qualquer reunião ou voo com Rueda ou Beto Louco.
Rueda nega contato e Beto Louco é foragido da Interpol
Questionado sobre o registro de entrada simultânea, Antonio Rueda negou ter se reunido com Beto Louco, afirmando que o terminal é de grande circulação. Ele declarou: “Entrei inúmeras vezes naquele terminal para fazer reuniões com diversas pessoas. Certamente, nesse mesmo intervalo de hora, devem ter passado centenas de pessoas lá.”
Roberto Leme da Silva, o Beto Louco, é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Ele é suspeito de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustível, com apuração de vínculos com postos ligados ao PCC. Beto Louco consta na lista de foragidos da Interpol e negocia uma delação premiada.
Investigações apontam relação anterior entre os dois
A relação entre Rueda e Beto Louco já era de conhecimento das autoridades. Reportagem da revista piauí revelou que os dois trocaram diversas mensagens de WhatsApp entre outubro de 2023 e maio de 2024. Esses diálogos, segundo a publicação, foram apresentados à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal pela defesa de Beto Louco durante negociações para um acordo de colaboração premiada.
Investigadores apuram se Beto Louco atuava como articulador político do grupo. Em depoimento à PF, um piloto afirmou ter transportado Beto Louco e um sócio em aviões de uma empresa de táxi aéreo, e que Rueda seria o dono de fato da empresa, o que o dirigente nega. A defesa de Beto Louco nega qualquer ligação com o PCC e não comentou os demais fatos.

