Intensas Violações Durante o Cessar-Fogo
O governo ucraniano acusou a Rússia de violar o cessar-fogo estabelecido para a Páscoa Ortodoxa em impressionantes 10.721 ocasiões durante um período de 32 horas. A trégua, que vigorou entre 16h do dia 11 de abril e o final do dia 12 de abril (horário de Moscou), foi anunciada pelo presidente russo Vladimir Putin e aceita pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. No entanto, poucas horas após o início da pausa, ambos os lados registraram ataques.
Nas primeiras seis horas da trégua, as Forças Armadas da Ucrânia registraram 469 violações. Segundo o Estado-Maior ucraniano, não houve ataques com mísseis, aeronaves ou drones de longo alcance. Contudo, as forças russas teriam realizado 1.567 ataques de artilharia, 119 ações de assalto e 9.035 ataques com drones kamikaze de curto alcance.
Acusações Mútuas e Condições para a Paz
As autoridades russas, por sua vez, também acusaram a Ucrânia de violar o cessar-fogo, alegando que ataques de drones ucranianos atingiram alvos nas regiões russas de Kursk e Belgorod, resultando em cinco feridos. A Rússia havia condicionado a extensão da trégua à aceitação de termos apresentados por Moscou, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmando que uma “paz sustentável” só seria possível com a garantia dos interesses russos e o alcance dos objetivos definidos para a guerra.
Otimismo Cauteloso nas Negociações
Apesar da pouca evolução concreta nas negociações para encerrar o conflito, o principal negociador de Kiev, Kyrylo Budanov, expressou otimismo sobre o progresso em direção a um acordo abrangente. Budanov, ex-chefe da inteligência militar ucraniana, acredita que a Rússia também deseja o fim da guerra e que as negociações refletem essa necessidade. Ele reconheceu as posições “maximalistas” de ambos os lados, mas prevê uma aproximação para um consenso, destacando o “incentivo claro” de Moscou para um acordo devido aos enormes custos financeiros da guerra.
Obstáculos Territoriais e Custos da Reconstrução
As negociações enfrentam obstáculos significativos, especialmente em relação aos territórios ocupados. Moscou exige a retirada das tropas ucranianas de toda a região de Donetsk, enquanto Kiev defende o congelamento do conflito nas linhas de frente atuais, busca garantias de segurança ocidentais e exige o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia. A Rússia ocupa cerca de 20% do território ucraniano. Estimativas indicam que a reconstrução da Ucrânia custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, com o setor de habitação sendo o mais afetado. A primeira-ministra ucraniana, Iulia Sviridenko, ressaltou que o PIB do país só poderá crescer de forma sustentável com um cessar-fogo.

