Otimismo em meio a desafios Apesar das recentes divergências nas negociações do acordo Mercosul-União Europeia, como as exigências sanitárias para carnes e cotas agrícolas, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) mantém a projeção de um aumento de US$ 1 bilhão no comércio entre os blocos. O presidente da agência, Laudemir Müller, destacou em entrevista à CNN que o potencial do acordo vai além dos produtos agropecuários tradicionais, abrindo portas para setores como o de frutas, que possuem baixa participação no mercado europeu atualmente. Potencial subestimado e novas fronteiras Müller considera a estimativa de US$ 1 bilhão conservadora, dado o volume de importações da Europa, que chega a US$ 3 trilhões anuais. Ele exemplificou o potencial com a uva de mesa, onde um pequeno aumento na participação de mercado brasileiro pode significar centenas de milhões de dólares em exportações. A Apex-Brasil também enxerga o acordo como um catalisador para investimentos europeus no Brasil, especialmente em setores que demandam energia, como o agronegócio, em um momento de altos custos energéticos na Europa. Estratégias para o mercado asiático e além A relação comercial com a China também foi tema central. Müller ressaltou o momento positivo entre Brasil e China, apesar de reconhecer a possibilidade de medidas protecionistas por parte dos chineses. A Apex-Brasil tem trabalhado para diversificar os destinos das exportações brasileiras, olhando para além da China, incluindo Japão, Coreia e México. O café e o gergelim despontam como produtos com forte crescimento, e a agência tem focado em levar cooperativas da agricultura familiar para o mercado chinês, obtendo resultados promissores. Mercados emergentes e logística A Índia e a África foram apontados como mercados com grande potencial de crescimento nos próximos anos. A Índia, apesar de possuir uma infraestrutura menos desenvolvida, avança rapidamente para o e-commerce, representando uma oportunidade única. Já a África, com seu crescimento populacional expressivo, tende a se tornar uma força econômica relevante. Quanto à logística, Müller reconheceu os desafios para alguns mercados, como a China, mas destacou a importância de rotas como a Bioceânica para otimizar o escoamento da produção brasileira para a Ásia.