Transmissão Restrita a Fluidos Corporais A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional devido a surtos de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Embora um caso suspeito tenha surgido em São Paulo, o cenário atual não indica potencial pandêmico. O próprio chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que o Ebola não atende aos critérios de uma "emergência pandêmica", com o risco avaliado como alto regionalmente, mas baixo globalmente. A principal razão para essa avaliação reside no modo de transmissão do vírus. Diferentemente de patógenos como o SARS-CoV-2 (causador da Covid-19) e o Influenza, que se espalham facilmente por vias respiratórias, o Ebola requer contato direto com fluidos corporais de uma pessoa infectada. Como o Vírus se Espalha? O Ebola circula primariamente entre animais e a infecção humana ocorre pelo contato próximo com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de indivíduos contaminados. A transmissão entre humanos se dá por meio do contato direto com esses fluidos ou com superfícies contaminadas. Essa forma de contágio é particularmente amplificada em ambientes de saúde com medidas de prevenção inadequadas e durante rituais de sepultamento que envolvem contato direto com os falecidos, como tem sido observado na RDC. Diferenças Cruciais em Relação a Vírus Respiratórios O infectologista Leonardo Weissmann explica que "a forma de contágio limita significativamente sua capacidade de disseminação em comparação com vírus respiratórios, como influenza ou SARS-CoV-2". Essa característica intrínseca do Ebola impede que ele se espalhe de forma tão rápida e ampla quanto vírus que viajam pelo ar através de gotículas e aerossóis, tornando a contenção regional, embora desafiadora, mais factível do que uma disseminação global descontrolada.