Críticas à estratégia e ao design
Luca Cordero di Montezemolo, que liderou a Ferrari por mais de duas décadas, lançou duras críticas ao primeiro carro 100% elétrico da marca, o Ferrari Luce. Segundo ele, o modelo representa um “risco de destruir um mito” e expressou o desejo de que o icônico “Cavallino Rampante” sequer estampe o veículo.
O design do Luce, um sedã de quatro portas e cinco lugares desenvolvido em parceria com a agência LoveFrom de Jony Ive, ex-Apple, tem sido alvo de intensa polêmica nas redes sociais. Comparações com aspiradores de pó e carros mal desenhados viralizaram, enquanto especialistas questionam se o modelo “grita Ferrari”. Matt Prior, editor do site britânico Autocar, aponta que a necessidade de acomodar as baterias sob o assoalho eleva a altura do carro, o que pode comprometer a elegância característica da marca.
Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da AIR Capital, descreveu o Luce como uma “mistura entre um Honda Accord EV e um Tesla 3”, sinalizando uma aparente perda de identidade na nova estratégia da Ferrari.
Desafios da eletrificação e reações mistas
A Ferrari afirma ter enfrentado um dos desafios mais complexos da sua história ao projetar o som do primeiro elétrico. O Luce utiliza um sistema que amplifica vibrações dos componentes elétricos para criar um som mecânico autêntico, em vez de simular um motor a combustão.
Apesar das críticas contundentes, o lançamento também gerou reações positivas. Alguns usuários elogiaram o design como “uma aula magistral” e “revolucionário”, enquanto outros o descreveram como “diferente, mas deslumbrante” e uma “ruptura ousada” e moderna.
Visão da montadora e cenário do mercado
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, defende o projeto, que levou cinco anos para ser desenvolvido, como uma demonstração de coragem e liderança em face de novas tecnologias. O presidente John Elkann apresentou o modelo ao Papa Leão, ressaltando que o Luce inaugura “um capítulo que transforma nossa visão em realidade”.
O lançamento ocorre em um momento de incertezas no mercado global de veículos elétricos, com várias montadoras reduzindo planos devido à baixa demanda e forte concorrência chinesa. A própria Ferrari ajustou sua meta, reduzindo a previsão de carros totalmente elétricos na linha de 40% para 20% até 2030. Após a apresentação do Luce, as ações da montadora registraram quedas na Bolsa de Milão e em Nova York.

