Medida unilateral dos EUA gera tensão diplomática O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja um contato telefônico com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos próximos dias. O objetivo é discutir a recente decisão da administração americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. O Brasil, historicamente contrário a esse tipo de enquadramento, considera as facções como organizações criminosas e teme que a medida unilateral possa afetar a economia nacional, incluindo fintechs e sistemas de pagamento como o PIX. Brasil critica "interferência" e "falsos patriotas" Em um comunicado contundente divulgado na sexta-feira (29), o governo brasileiro acusou a administração Trump de interferência na soberania do país. Sem citar nomes, o Planalto criticou "traidores" e "falsos patriotas" que estariam por trás da manobra. A nota oficial ressaltou que a segurança da população brasileira é "importante demais para ser manipulada politicamente" e criticou aqueles que buscam a interferência de autoridades estrangeiras em assuntos internos. Flávio Bolsonaro reivindica influência na decisão de Trump O senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu a si e ao irmão, Eduardo Bolsonaro, influência direta na decisão de Trump de incluir o PCC e o CV na lista de organizações terroristas, ao lado de grupos como Al-Qaeda e Hamas. Ambos se reuniram com o presidente americano na Casa Branca dias antes do anúncio oficial do Departamento de Estado. A ação é vista por Lula como uma oportunidade de explorar o discurso de soberania e de indevida interferência dos EUA no debate eleitoral contra seu principal adversário em outubro. Preocupação com o sistema financeiro e a soberania nacional O governo federal argumenta que o interesse das facções brasileiras é puramente o lucro obtido através do tráfico de drogas e armas, e que isso não deve ser confundido com os motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional. Segundo o Planalto, a nova classificação ameaça a soberania nacional, prejudica a cooperação entre as polícias no combate ao crime organizado e abre margem para sanções contra o sistema financeiro brasileiro, incluindo o PIX. O mecanismo de pagamentos do Banco Central já foi alvo de investigações nos EUA no ano passado, motivadas pela competição com grandes empresas de tecnologia americanas.