Ferramenta de IA da Meta amplia coleta de dados de funcionários para além dos EUA A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, está sob escrutínio por um programa interno de coleta de dados de funcionários, denominado Model Capability Initiative (MCI). Inicialmente descrito como uma ferramenta para aprimorar agentes de inteligência artificial (IA) através do monitoramento do uso de computadores, a iniciativa expandiu seu alcance de forma significativa, capturando informações de funcionários fora dos Estados Unidos, de acordo com documentos internos obtidos pela Reuters. A ferramenta visa registrar detalhes como movimentos do mouse, cliques e navegação em menus suspensos em mais de 200 aplicativos e sites. O objetivo declarado é construir agentes de IA capazes de executar tarefas diárias de software de forma autônoma. No entanto, a abrangência da coleta de dados gerou descontentamento entre os próprios funcionários, que relataram que a ferramenta consumia uma quantidade excessiva de dados, impactando o uso da internet na empresa. Privacidade em risco: Dados de e-mails e comunicações globais sob vigilância Um ponto particularmente alarmante é o reconhecimento da Meta de que a ferramenta captura o conteúdo de todos os e-mails e mensagens diretas enviadas a funcionários nos EUA, independentemente da localização do remetente. Isso significa que comunicações com colegas internacionais podem ter seus conteúdos registrados, mesmo que o funcionário receptor não esteja nos Estados Unidos. A empresa afirma que a MCI foi implementada apenas em dispositivos de funcionários norte-americanos e que o foco é a interação com computadores, não o conteúdo exibido nas telas. Contudo, a Meta notificou funcionários fora dos EUA sobre a implantação em computadores de colegas americanos com os quais eles interagem, gerando preocupações sobre a legalidade e o escopo da coleta. Desafios regulatórios na Europa e reações internas As descobertas levantam sérias questões de conformidade, especialmente na União Europeia, onde o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) impõe regras rigorosas para o processamento de dados pessoais. Especialistas em privacidade apontam que a coleta de dados de funcionários da UE, mesmo que incidental, pode violar o GDPR, pois os dados foram originalmente coletados para fins de comunicação e não para treinamento de IA. Internamente, a iniciativa MCI foi comparada por funcionários a uma "Fábrica de Extração de Dados de Funcionários". Análises internas revelaram que a ferramenta acessa detalhes como alterações de código, ciclos de suspensão e ativação de computadores, URLs visitados e conteúdo copiado e colado, armazenado de forma menos segura. A Meta classificou essas conclusões como "fundamentalmente imprecisas", mas a repercussão entre os funcionários e especialistas em direitos civis sugere um debate aprofundado sobre vigilância no local de trabalho e o uso de dados de funcionários para o desenvolvimento de IA.