Direita e Israel em Choque com Acordo de Trump com Irã e Hezbollah Publicações influentes alinhadas à direita, como o New York Post e o Wall Street Journal, expressaram severa desaprovação ao recente acordo firmado por Donald Trump com o Irã, descrevendo a ação como uma “retirada” e um sinal de fraqueza. As concessões feitas ao regime iraniano, que incluem a promessa de negociações sobre o programa nuclear em troca da reabertura do Estreito de Ormuz, foram recebidas com incredulidade e críticas contundentes por setores conservadores e por Israel. Divergências Internas no Governo Trump O acordo gerou divisões internas na administração Trump. Relatos indicam que figuras importantes como o Secretário de Defesa Pete Hegseth, o Secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA John Ratcliffe manifestaram preocupação e levantaram objeções significativas. O site Axios descreveu esses membros como “os céticos” do governo, citando “sérias dúvidas” das agências de inteligência sobre a disposição do Irã em cumprir os termos. Em contrapartida, os negociadores especiais Steve Witcoff e Jared Kushner, juntamente com o vice-presidente JD Vance, defenderam o acordo, com Vance sendo o porta-voz em programas de entrevistas. Vantagens para o Irã e Preocupações para Israel O comentarista israelense Arieh Kovler, em artigo para a revista conservadora The Spectator, detalhou as vantagens obtidas pelo Irã: a suspensão de sanções, o fim do bloqueio americano e o descongelamento de US$ 300 bilhões em fundos. “Praticamente tudo o que o Irã queria”, resumiu Kovler, contrastando com a percepção de que os Estados Unidos não obtiveram ganhos significativos. A situação se torna ainda mais surreal com a proteção explícita ao Hezbollah no Líbano, um desdobramento que choca Israel, que vê a organização xiita, apoiada pelo Irã, como uma ameaça direta à sua segurança fronteiriça. Enigmas e Críticas à Abordagem de Trump Um dos enigmas centrais é como Trump pretende persuadir o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a aceitar essa nova realidade e a retirar as tropas israelenses do sul do Líbano. Trump chegou a sugerir que a questão do Hezbollah deveria ser resolvida pelo regime sírio, elogiando o presidente sírio Ahmed Al-Sharaa. Essa proposta evoca memórias de uma época em que a Síria ocupou o Líbano, e a ideia de uma intervenção síria com aval americano é considerada inconcebível por muitos. A direita americana pró-Israel encontra-se dividida, incapaz de apoiar uma guerra rejeitada pela opinião pública nem de endossar um acordo visto como excessivamente condescendente. Quem Ganha e Quem Perde? A análise de quem comemora o acordo aponta claramente os vencedores e perdedores. Irã e Hezbollah celebram, enquanto outros grupos libaneses, incluindo cristãos e muçulmanos sunitas, sentem-se abandonados em sua luta contra a influência xiita. Israelenses, de todas as vertentes políticas, estão em estado de choque, com um sentimento de capitulação. Opositores iranianos ao regime, brutalmente reprimidos, sentem-se desamparados. A esperança reside na interrupção do programa nuclear iraniano e na diluição do urânio enriquecido, conforme estipulado no acordo, dependendo de negociações nos próximos 60 dias. No entanto, a assinatura do acordo em Versalhes, palco de tantos acordos históricos, levanta questionamentos sobre as reais intenções e as consequências a longo prazo, especialmente em um cenário onde o preço do petróleo pode permanecer estável, recompensando a festa para alguns.