Aumento da tragédia por falhas estruturais Enquanto as operações de resgate na Venezuela entram em um momento crucial para encontrar sobreviventes dos terremotos que assolaram o país na noite de quarta-feira, a dimensão da destruição se torna mais clara. Os tremores, os maiores em um século, já confirmaram 589 mortes e cerca de 4,3 mil feridos. Autoridades reportam a destruição ou dano de 250 prédios, levantando sérias questões sobre como a crise econômica e a corrupção política em Caracas, ao longo de décadas, podem ter intensificado o efeito do desastre natural. Habitações construídas sob governos anteriores são as mais afetadas Grupos da sociedade civil venezuelana relatam que conjuntos habitacionais erguidos durante o governo de Hugo Chávez estão entre as áreas mais atingidas pelos desmoronamentos. Na cidade de Catia La Mar, na região de La Guaira, pelo menos 100 prédios cederam, segundo informações oficiais. Especialistas em engenharia civil e prevenção de abalos sísmicos sugerem que muitas dessas construções podem ter sido erguidas antes da legislação atual entrar em vigor ou falharam em passar por fiscalização adequada, sem descartar a possibilidade de construções irregulares. Infraestrutura é o principal vilão, diz especialista O professor Ilan Kelman, especialista em desastres e saúde da University College London, ressaltou em entrevista ao New York Times a importância da infraestrutura em cenários de desastres naturais. "Os terremotos não matam pessoas. O que mata é o colapso da infraestrutura", afirmou Kelman, destacando que a qualidade e a conformidade das construções são fatores determinantes na salvaguarda de vidas em caso de eventos sísmicos.