Investigação se inicia com alerta da PM O Ministério Público do Rio (MP-RJ) deflagrou uma operação que resultou em buscas na casa e no gabinete do deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa (PRD). A investigação começou em dezembro de 2023, após um alerta da Polícia Militar. O parlamentar teria procurado o 16º Batalhão, em Olaria, para tentar impedir a demolição de imóveis ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções criminosas do Rio, no Complexo de Israel. Conexões com o crime organizado e divergências patrimoniais Com o avanço das apurações, o MP encontrou indícios de ligações entre Val Ceasa e o crime organizado. Investigadores apontam que o deputado empregou na Assembleia Legislativa o irmão de um traficante do TCP. Além disso, um assessor do parlamentar foi indiciado em uma investigação de homicídio ligada a um líder do TCP na Comunidade do Muquiço. Outros servidores comissionados ligados ao deputado possuem anotações criminais ou parentes com histórico criminal. As divergências em seu patrimônio também chamaram a atenção do MP. Em 2022, Val Ceasa declarou R$ 1 milhão em bens. No entanto, as investigações apontam para sua ligação com empresas e transações imobiliárias que ultrapassam R$ 13 milhões, incluindo a construção de um galpão no Espírito Santo e a aquisição de dois imóveis de luxo no Rio de Janeiro. Tentativa de proteger imóveis de luxo do tráfico A operação também teve como alvo o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna de Azevedo e o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins. Ambos teriam procurado o 16º BPM e a Secretaria Municipal de Ordem Pública para evitar a demolição de imóveis que, segundo o MP, funcionavam como um resort de luxo do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, um dos chefes do TCP. O local, descrito como de grande estrutura e suntuosidade, possuía lago artificial, academia e rota de fuga. O MP afirma que o grupo tentou, de forma ardilosa, fazer as autoridades acreditarem que o local era um centro social. Após a movimentação do deputado e do ex-vereador, uma faixa com menção a um projeto social foi instalada e símbolos do TCP foram removidos de uma das propriedades. A Polícia Militar, que já havia realizado operações no local sem constatar qualquer atividade social, considera a ação uma tentativa de fraude para camuflar a real destinação dos imóveis. Apreensão de dinheiro vivo e quebra de sigilo Durante a operação, foram apreendidos R$ 320.000 em dinheiro vivo em endereços ligados ao deputado. O desembargador Gilmar Augusto Teixeira, que autorizou as buscas, também determinou a quebra do sigilo de mensagens dos alvos e a requisição de relatórios ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para verificar o recebimento de recursos de membros da facção pelo deputado e seus aliados. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) afirmou que prestará toda a colaboração necessária às investigações.