Operação do MP e investigação da PF ligam Val Ceasa a facções criminosas O deputado estadual Val Ceasa é o principal alvo de uma operação do Ministério Público do Rio (MPRJ) deflagrada nesta quinta-feira, sob suspeita de atuar em favor de interesses do Terceiro Comando Puro (TCP). A investigação se soma a uma apuração anterior da Polícia Federal (PF) que já indicava o interesse do Comando Vermelho (CV) em se aproximar de agentes políticos com acesso ao poder público. CV planejava cooptar Val Ceasa, revela investigação Mensagens interceptadas pela PF e reveladas pela série “Os donos do crime”, do GLOBO, mostram uma conversa entre o traficante Carlos Costa Neves, o Gardenal, e Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do CV no Complexo da Penha. Gardenal enviou a Doca uma foto de Val Ceasa durante uma reunião no Palácio Guanabara, em janeiro de 2025, com a mensagem: “Te falei, Val é o contato dele”. Doca respondeu: “É, mano, esse cara tem que vir para nós”. A PF interpreta essas mensagens como um indicativo claro do interesse do CV em aliciar políticos para ampliar sua influência, obter proteção institucional e interferir em decisões públicas, além de evitar ações estatais em áreas dominadas pela facção. Suposta aliança com chefe do TCP sob investigação Embora a conversa interceptada não explicite a quem Gardenal se referia como “dele”, uma fonte da PF sugere que o diálogo pode remeter a uma suposta aliança de Val Ceasa com Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do TCP, facção rival do CV. Essa relação já havia sido abordada em outra investigação, que apurou o adiamento da demolição de um resort atribuído a Peixão na Cidade Alta, após uma suposta articulação política. MPRJ cumpre mandados e investiga vazamento de operação Nesta quinta-feira, o MPRJ cumpre 14 mandados de busca e apreensão contra Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. As buscas ocorrem no gabinete do deputado na Alerj e em endereços na Ceasa, além de locais no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A investigação do MPRJ teve início após indícios de que os investigados teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que visava à demolição de imóveis ligados ao TCP em Parada de Lucas. Segundo os investigadores, os agentes públicos teriam tentado usar a influência de seus cargos para alegar que os imóveis seriam destinados a serviços sociais, versão que não se confirmou e resultou no adiamento da operação.