Aposta frustrada e corrida aberta em Minas A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, como seu principal aliado em Minas Gerais para as eleições de 2026 sofreu um revés. Em junho de 2025, Lula se referia a Pacheco como o "futuro governador", apostando no peso político do aliado para garantir um palanque em um estado crucial para a disputa nacional. No entanto, um ano depois, Pacheco anunciou sua saída da política, encerrando as especulações e abrindo uma disputa acirrada pelo posto. Atualmente, oito nomes disputam a indicação, a pouco mais de um mês do início das convenções partidárias. Mobilização lulista e nomes em ascensão O PT e seus aliados buscam um consenso para definir o candidato que representará o campo lulista em Minas. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem promovido reuniões e encomendado pesquisas para avaliar a viabilidade de nomes como os do deputado Reginaldo Lopes e da ex-reitora da UFMG Sandra Goulart (ambos do PT), do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e do ex-presidente da Câmara Municipal de BH, Gabriel Azevedo (MDB). O PSB, partido de Pacheco, também lançará candidatura própria após uma prévia interna com quatro postulantes, mas mantém a aliança com o PT e Lula como horizonte. Desconhecimento e hesitação no cenário eleitoral A maioria dos pré-candidatos ainda não possui grande reconhecimento entre o eleitorado. Alexandre Kalil, apesar de ter disputado o governo em 2022 com apoio de Lula, tem demonstrado relutância em dividir o palanque com o petista novamente. Os nomes mais fortes do PT, como Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, e o deputado Reginaldo Lopes, também não demonstram grande entusiasmo em concorrer ao governo, apesar da pressão da militância por uma candidatura própria. Gabriel Azevedo, defendido por Marília Campos, ainda aparece com números tímidos nas pesquisas. Bolsonarismo em ebulição e a importância estratégica de Minas A indefinição em Minas Gerais não se restringe ao campo lulista, alcançando também o bolsonarismo. O atual vice-governador Mateus Simões, filiado ao PSD, segue alinhado a Romeu Zema (Novo), mas enfrenta resistências. Flávio Bolsonaro descartou alianças com Simões, priorizando o apoio ao senador Cleitinho Azevedo, que lidera as pesquisas, mas ainda não confirmou sua candidatura. A incerteza em torno de Cleitinho e a possibilidade de o PL lançar um nome próprio, como o empresário Flávio Roscoe, adicionam mais complexidade ao cenário. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é historicamente decisivo para a eleição presidencial, e a falta de um palanque definido para Lula representa um desafio estratégico significativo, especialmente considerando a apertada vitória do petista no estado em 2022.