Cenário de Alívio Global Impulsiona Mercados O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira em queda expressiva, atingindo R$ 4,90, o menor patamar em 26 meses. A desvalorização da moeda americana foi influenciada pela melhora na percepção de risco global, impulsionada pela continuidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e pela nova queda nos preços do petróleo. Os contratos futuros do petróleo Brent recuaram 3,4%, com o barril negociado a US$ 110,40. A expectativa de que uma solução de curto prazo possa destravar o fluxo de petróleo na região do Estreito de Ormuz contribuiu para o apetite por risco nos mercados internacionais. As bolsas de Nova York operaram em alta, refletindo esse ambiente de maior tranquilidade. Bolsa Brasileira Sobe com Redução da Aversão ao Risco O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acompanhou o otimismo internacional e operou em alta moderada. A queda no preço do petróleo beneficia empresas ligadas à economia doméstica, como bancos e varejistas, que apresentaram ganhos em suas ações. Por outro lado, empresas do setor de energia e petróleo sentiram a pressão da baixa da commodity. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também foi um fator de destaque. O documento, interpretado como mais "hawkish" (duro) por analistas, indicou que o Banco Central reafirmou seu compromisso em combater efeitos de segunda ordem da alta do petróleo na inflação. Essa postura, embora reforce o controle inflacionário, diminui as expectativas de cortes mais intensos na taxa de juros no curto prazo. Juros Futuros em Queda e Dólar Reage à Ata do Copom Em sintonia com o cenário de menor aversão ao risco e com a repercussão da ata do Copom, os juros futuros operaram em queda ao longo de toda a curva. A reafirmação do compromisso do Banco Central em controlar a inflação, especialmente os efeitos indiretos do petróleo, e a deterioração adicional das expectativas de inflação para 2028, conforme apontado na ata, sinalizam um foco contínuo na estabilidade de preços. No mercado de câmbio, o dólar recuou após a divulgação da ata, mostrando a influência das decisões de política monetária e do cenário externo. O Banco Central também atuou no mercado para renovar operações cambiais em meio ao vencimento de contratos. Impacto da Geopolítica e Commodities nos Mercados A tensão geopolítica no Oriente Médio, que havia levado a uma forte alta do petróleo e pressionado os mercados na segunda-feira, deu sinais de arrefecimento. A troca de ataques entre EUA e Irã e incidentes envolvendo navios e infraestrutura de petróleo geraram incertezas e volatilidade. No entanto, a trégua e a manutenção das negociações trouxeram um alívio que se refletiu diretamente na queda dos preços do petróleo e na recuperação de ativos de risco. A volatilidade observada nos dias anteriores, com o dólar operando em alta e os juros futuros acompanhando a valorização do petróleo, contrastou com o movimento desta terça-feira. A capacidade de resolução das tensões geopolíticas e a clareza da política monetária brasileira foram determinantes para a reversão do quadro.