Maio traz alívio nos preços dos combustíveis Após meses de aumentos constantes, maio trouxe um respiro para os consumidores de combustíveis no Brasil. O diesel, a gasolina e, especialmente, o etanol registraram quedas nos preços nas bombas. O etanol, com uma redução de 5,6% em comparação com abril, atingiu uma média de R$ 4,49 por litro, segundo monitor de preços da Veloe e Fipe. Embora essas reduções não anulem totalmente os aumentos anteriores, impulsionados pelo conflito no Irã e a consequente alta do petróleo, são um alento em um cenário de instabilidade. Safra recorde de cana-de-açúcar favorece o etanol A época entre maio e setembro é tradicionalmente de preços mais baixos para o etanol, coincidindo com o auge da colheita da cana-de-açúcar. Neste ano, no entanto, fatores específicos prometem um aumento ainda mais expressivo na produção do biocombustível. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta um crescimento de 8,5% na produção de etanol, totalizando 40,7 bilhões de litros. Esse otimismo se deve, em parte, a uma safra de cana-de-açúcar promissora, estimada em 709,1 milhões de toneladas, um aumento de 5,3% em relação ao ciclo anterior, resultado de clima favorável e ampliação da área plantada. Usina focam em etanol e deixam o açúcar de lado Um dos fatores cruciais para o aumento da disponibilidade de etanol é a menor atratividade do açúcar para as usinas neste momento. Com o mercado internacional de açúcar em sobreoferta e preços em queda, as usinas direcionam mais cana para a produção de etanol. A Conab estima uma leve queda de 0,5% na produção de açúcar, enquanto a produção de etanol a partir da cana pode crescer 7%, chegando a 29,3 bilhões de litros. Essa decisão estratégica garante que uma parcela maior da matéria-prima seja convertida no biocombustível. O milho se consolida como um novo pilar do etanol Complementando a produção oriunda da cana, o milho tem se tornado um protagonista na fabricação de etanol. Responsável pelos 30% restantes da produção do biocombustível, o milho, antes destinado majoritariamente à ração animal, viu sua participação na indústria alcooleira crescer exponencialmente. Usinas especializadas em etanol de milho, concentradas principalmente no Centro-Oeste, expandem sua atuação. A Conab prevê que a produção de etanol de milho alcance 11,4 bilhões de litros na safra 2026/27, um crescimento de 12,3%, renovando recordes e reforçando a oferta do biocombustível no país.