Evo Morales Suspende Temporariamente Bloqueios de Rodovias na Bolívia Ex-presidente boliviano anuncia trégua em Cochabamba após dias de protestos Fim dos bloqueios em Cochabamba marca pausa em manifestações que abalaram o país O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta segunda-feira a suspensão temporária dos bloqueios de rodovias que ainda persistiam no departamento de Cochabamba, considerado seu principal reduto político. A decisão foi tomada após uma assembleia de dirigentes cocaleiros na localidade de Lauca Eñe, onde Morales afirmou que a medida não significava uma rendição, mas sim uma pausa estratégica após o encerramento dos protestos em outras regiões do país. Estado de emergência e apelo por pacificação nacional Os últimos focos de protesto em Cochabamba se mantinham mesmo após o presidente Rodrigo Paz decretar estado de emergência para encerrar as manifestações. A medida foi anunciada dias após um acordo para pacificar o país, assinado com líderes da Central Operária Boliviana (COB). Em discurso televisionado, Paz instruiu as Forças Armadas e a Polícia Boliviana a restaurarem o direito de ir e vir, recuperarem as rodovias e garantirem a segurança da população, classificando os protestos como uma “tentativa de golpe de Estado do narcoterrorismo”. A economia boliviana sofreu perdas bilionárias devido às paralisações. Impacto econômico e restrições de direitos em foco O decreto de estado de emergência, com validade de até 90 dias, ainda depende de ratificação pelo Congresso. Ministérios do Governo e da Defesa informaram que emitirão resoluções conjuntas para restringir direitos de circulação, reunião e liberdade de movimento, caso necessário. O ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, garantiu que a aplicação do estado de emergência seria focalizada, sem afetar regiões sem conflitos. Motivações dos protestos e acusações mútuas Os protestos, iniciados no início de maio por operários, agricultores e indígenas, exigiam soluções para a crise econômica mais grave do país em quatro décadas e protestavam contra a venda de gasolina de má qualidade. Diante da falta de acordos, as reivindicações evoluíram para a exigência da renúncia do presidente. O governo de centro-direita, que assumiu em novembro, acusa Evo Morales de instigar os protestos e de usar dinheiro do narcotráfico, acusações que o ex-presidente rejeita. Morales encontra-se na região de Chapare para evitar um mandado de prisão.