A saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid em 2009 foi um erro estratégico para o clube e para o próprio jogador, segundo Ramón Calderón, ex-presidente do clube espanhol. Em entrevista ao jornal português A Bola, Calderón relembrou os bastidores da contratação do craque português e expressou seu desejo de ter visto Lionel Messi ao lado de Cristiano Ronaldo no Santiago Bernabéu. Calderón, que presidiu o Real Madrid entre 2006 e 2009, considera que a relação do clube com Cristiano Ronaldo deteriorou-se ao longo dos anos, culminando em uma venda que, embora economicamente vantajosa para os cofres merengues, foi esportivamente prejudicial. "Creio que foi um erro das duas partes. Seguramente a relação não foi boa desde o início, depois, com o tempo, deteriorou-se no final dos anos que esteve aqui", afirmou o ex-dirigente.O ex-presidente destacou que, após deixar o Real Madrid, Cristiano Ronaldo nunca se adaptou completamente a outro clube, reforçando a ideia de que o português encontrou no time espanhol o palco ideal para sua carreira. "O jogador nunca se adaptou completamente a nenhum clube fora do Real Madrid, e é impossível encontrar alguém como o Cristiano; há jogadores parecidos, mas iguais ou melhores não existem", ponderou Calderón. A negociação de Cristiano Ronaldo e as dúvidas de Florentino Pérez Calderón detalhou que a contratação de Cristiano Ronaldo, concluída em 2009, já sob o comando de Florentino Pérez, foi um processo longo, iniciado dois anos antes. O dirigente revelou que a negociação com o Manchester United envolveu cerca de 80 milhões de libras (94 milhões de euros). Ele também mencionou que, ao assumir a presidência, Florentino Pérez teria tido dúvidas em concretizar a transferência, chegando a cogitar a possibilidade de pagar uma multa rescisória de 30 milhões de euros para não fechar o acordo. A insistência de pessoas próximas a Pérez e a fúria do próprio jogador em caso de desistência foram cruciais para a concretização do negócio. O sonho de ver Messi e Cristiano Ronaldo juntos Questionado sobre a possibilidade de ter tido Lionel Messi jogando ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, Calderón admitiu que seria um sonho realizado, mas reconheceu a impossibilidade da operação. "Teria adorado, mas era impossível porque Messi era do Barcelona e nunca o teriam deixado sair, a menos que tomasse a iniciativa, como fez o Cristiano no Manchester United. Mas ele sentia-se feliz no Barça e, portanto, não havia qualquer possibilidade. Foi uma pena porque juntar os dois melhores jogadores do mundo na mesma equipe teria sido fantástico", declarou. Legado e conquistas sob a gestão de Calderón Durante seus três anos como presidente, Calderón supervisionou a conquista de dois Campeonatos Espanhóis e uma Supercopa da Espanha no futebol, além de uma Liga ACB e uma Copa ULEB no basquete. Nomes como Van Nistelrooy, Cannavaro, Diarra, Higuaín e Marcelo foram contratados para reforçar o elenco de futebol. Na temporada 2007/08, com Bernd Schuster no comando técnico, o time trouxe Robben, Pepe, Sneijder, Saviola e Lassana Diarra, conquistando mais um Campeonato Espanhol. Calderón renunciou ao cargo em janeiro de 2009.