Adoção de nova jornada de trabalho levanta preocupações no campo A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil começa a gerar apreensão em setores que dependem intensivamente de mão de obra, como a fruticultura. A possível mudança regulatória pode elevar os custos operacionais e, consequentemente, aumentar a demanda por trabalhadores rurais, especialmente em atividades como a colheita. Colheitas noturnas e o impacto da jornada de trabalho Em muitas fazendas de frutas, operações como a colheita são realizadas durante a madrugada. O objetivo é aproveitar as temperaturas mais amenas para preservar a qualidade dos produtos, evitando que o calor intenso do dia afete as frutas. Essa prática é comum em culturas como uvas e cocos em regiões produtoras do Nordeste e Sudeste. Sidney Tavares, diretor da Timbaúba, explica que o clima mais fresco durante a madrugada é crucial para a colheita. Ele estima que o fim da escala 6x1 poderia exigir um aumento de cerca de 5% no quadro de funcionários para manter o mesmo nível de produção no campo. Enquanto a indústria já opera com regimes como o 12x36, o setor rural sentiria um impacto mais direto na necessidade de contratações. Escassez de mão de obra e busca por tecnologia O setor agropecuário já enfrenta dificuldades em encontrar mão de obra disponível, o que tem levado empresas a investir em mecanização e automação. Tavares aponta que, caso a oferta de trabalhadores não aumente, a tendência será acelerar a adoção de tecnologias. No entanto, nem todas as culturas se beneficiam igualmente. A colheita mecanizada de uvas está mais avançada, mas culturas como o coco ainda dependem significativamente do trabalho manual, exigindo um grande número de pessoas para a colheita. Formalização do trabalho temporário e desafios futuros Paralelamente, o setor acompanha medidas recentes voltadas à formalização do trabalho temporário no campo. Produtores avaliam que alterações nas regras para o trabalhador safrista podem, a médio prazo, ampliar a oferta de mão de obra formal. Contudo, essa transição é vista como gradual e dependerá também de campanhas de orientação para os trabalhadores rurais. A preocupação surge em um momento em que diversas cadeias do agronegócio já relatam carência de pessoal, especialmente para tarefas sazonais e fisicamente exigentes.