Violência no Terreirão: Três Mortes em Disputa Territorial A comunidade do Terreirão, localizada no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, tem sido palco de uma intensa guerra por territórios que já resultou na morte de três pessoas. Investigações da Polícia Civil revelam que a violência é motivada pela disputa entre duas facções criminosas rivais, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), e dois grupos paramilitares que buscam controlar a região. O Assassinato da Biomédica e o Companheiro Um dos ataques mais chocantes ocorreu em 29 de abril, quando a biomédica Ariane Anselmo Cortes, de 31 anos, grávida, e seu companheiro, Ygor Dante Santos Cordeiro, de 29 anos, foram alvejados enquanto estavam em um carro de aplicativo. O casal teria sido pego em meio a um tiroteio entre os grupos criminosos. Ygor morreu no local, e Ariane e o bebê não resistiram aos ferimentos. Imagens de câmeras de segurança flagraram suspeitos ligados ao CV fugindo do local; um deles foi preso posteriormente, enquanto outro segue foragido. Escalada de Conflitos e Expansão Territorial Uma segunda troca de tiros foi registrada em 17 de maio, resultando na morte de outro homem. As três mortes estão sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a polícia, a disputa se intensificou após ordens de lideranças do CV, como Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, para a tomada de territórios no Terreirão. A missão teria sido delegada a Bruno da Silva Souza, o Tiriça, conhecido por chefiar ataques em áreas rivais e com prisão decretada por outros crimes, incluindo o sequestro e execução de uma mulher em julho de 2023. Milícias e Exploração de Negócios Ilegais A área do Terreirão está sob disputa de diferentes grupos. O CV conta com apoio de bandidos de comunidades como C César Maia, Coroado e Fontela, além de homens da Gardênia Azul e da Cidade de Deus. Já o TCP, que se estabeleceu em parte da comunidade, recebe apoio de criminosos da Vargem Grande. Paralelamente, uma milícia atua na cobrança de comerciantes, e um grupo paramilitar rival também tenta dominar a localidade. Esses grupos disputam a exploração de negócios ilegais, como taxas de comerciantes e a venda de sinais clandestinos de internet. Impacto na Vida dos Comerciantes A onda de violência já afeta a rotina dos comerciantes locais. Um deles, que preferiu não se identificar, relatou uma queda no movimento nos quiosques próximos ao Pontal, no Recreio, devido ao medo da população de transitar na região à noite. Em 7 de maio, policiais da DHC prenderam quatro homens e apreenderam um adolescente com armas e um carro clonado no Recreio. Eles são apontados como integrantes de uma milícia de Curicica, Colônia e Taquara e estariam realizando cobranças no comércio do Terreirão no dia 29 de abril, data de um dos ataques do CV.