Potencial da Região e Iniciativas Locais A América Latina enxerga um futuro promissor na inteligência artificial (IA), com potencial para desenvolver soluções próprias e avançar na nova fronteira tecnológica. No entanto, para acompanhar o ritmo acelerado de países como Estados Unidos e China, a região precisa superar desafios estruturais significativos. A discussão ocorreu durante o Web Summit Rio 2026, onde especialistas debateram as oportunidades e os obstáculos para o avanço latino-americano no campo da IA. Iniciativas como o Latam-GPT, um chatbot de IA focado em dar visibilidade à América Latina no cenário global, são vistas como passos importantes para o desenvolvimento de conhecimento e experiência na construção de modelos de IA generativa. Alexey Milovidov, cofundador e CTO da ClickHouse, ressalta a importância desses esforços serem replicados e incentivarem investimentos maiores em tecnologia por parte de universidades e grandes organizações. Ele destaca que o talento e a capacidade estão presentes na região, necessitando apenas de desenvolvimento e foco não apenas em modelos fundamentais, mas também em aplicações, produtos e infraestrutura. Foco em Aplicações e Riscos de Dependência Rodrigo Durán, gerente geral do Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia), sugere que a América Latina deve concentrar esforços não apenas no desenvolvimento de modelos de IA, mas também em suas aplicações práticas, um foco observado com sucesso na China. A região enfrenta oportunidades e riscos em três áreas chave: produtividade e competitividade, combate à desinformação e formação de talentos. O aproveitamento das potencialidades em novos negócios é uma grande oportunidade, mas o risco da dependência tecnológica estrangeira, especialmente para países como o Brasil, foi levantado por Ronaldo Lemos, idealizador do Marco Civil da Internet, e Bruno Lewicki, da OpenAI, em outro painel do evento. A IA tem o potencial de tornar o conhecimento mais acessível e rápido, o que levanta questões cruciais sobre o papel das universidades e a preparação dos jovens para o mercado de trabalho. A América Latina, com sua população jovem significativa, tem uma janela de oportunidade para capitalizar essa vantagem demográfica, mas a ação rápida é essencial para colher os frutos. Infraestrutura e Adoção Lenta Apesar da base educacional sólida, a infraestrutura de IA na América Latina, como data centers, ainda requer melhorias substanciais e investimentos consideráveis. Milovidov acredita que, nos próximos cinco anos, a IA se tornará mais acessível para aqueles dispostos a aprender e pesquisar. Contudo, Durán prevê que a adoção da IA na região continuará em um ritmo mais lento em comparação com o Norte Global. Embora a região esteja avançando mais rapidamente do que no passado recente, a distância para potências como Estados Unidos e China tende a aumentar. Reverter essa tendência exigirá investimentos estratégicos em infraestrutura e políticas que acelerem a adoção tecnológica.