O universo do samba é vasto e vibrante, repleto de rodas que celebram a cultura e a tradição brasileira. Mas, entre tantas opções, quais se destacam aos olhos de quem entende do assunto? Jurados e personalidades ligadas ao gênero revelam suas rodas de samba favoritas, oferecendo um panorama único sobre os locais que respiram a essência do samba no Rio de Janeiro. Terreiro de Crioulo: Ancestralidade e Repertório de Excelência José Reinaldo Marques, curador da FliSamba, elegeu o Terreiro de Crioulo como sua campeã pessoal. O que o encanta é a curadoria musical, que transita com maestria entre clássicos e novidades, sempre privilegiando composições de sambistas renomados. "O grupo toca o que há de melhor no repertório do samba", afirma Marques. Além da música, o ambiente da roda, sediada em um quintal em Realengo, evoca uma profunda sensação de pertencimento e ancestralidade, conectando o público às raízes africanas do samba. Samba do Trabalhador: Empreendedorismo e Tradição no Clube Renascença Outra paixão de José Reinaldo Marques é o Samba do Trabalhador, que conquistou o segundo lugar no ranking. O sucesso, segundo ele, é fruto da visão empreendedora do músico Moacyr Luz e da aura histórica do Clube Renascença, no Andaraí. O local, que nos anos 70 já foi palco de rodas lendárias com nomes como Xangô da Mangueira e Roberto Ribeiro, resgata seu protagonismo, unindo a energia do samba atual à sua rica história. O escritor Marcelo Moutinho também destaca o Samba do Trabalhador como uma experiência "quase catártica", ressaltando o senso de coletividade que une pessoas de toda a cidade. Ele descreve a roda como um momento onde o canto coral da multidão reforça a força comunitária. Bip Bip: Um Oásis de Samba e Encontros em Copacabana Para o escritor Marcelo Moutinho, o Bip Bip, em Copacabana, é uma referência incontornável. Apesar de seu tamanho modesto, o bar se tornou um ponto de encontro para músicos de primeira linha e amantes do samba. Moutinho ressalta que o Bip Bip não é apenas um local para ouvir música de qualidade, mas um espaço onde se cultiva um forte senso de comunidade e se promove o reencontro, seja com os outros ou consigo mesmo. Terreiro de Mangueira: Um Passeio pela História do Samba Marcelo Moutinho também elogia o Terreiro de Mangueira, que figura entre os preferidos. A roda se destaca por um repertório que abrange toda a história do samba, desde os mestres como Candeia e Cartola, passando por ícones como Dona Ivone Lara e Roberto Ribeiro, até chegar à vanguarda do Cacique de Ramos. O diferencial, segundo Moutinho, é a abertura para sambas menos conhecidos, enriquecendo a experiência musical. O Ranking Oficial e a Celebração do Samba Carioca O ranking oficial do GLOBO coroa o Terreiro de Crioulo em primeiro lugar, seguido pelo Samba do Trabalhador. A medalha de bronze vai para a Encontro Casuais, comandada por Mosquito e Inácio Rios, conhecida pelo improviso e interação com o público no Beco do Rato, na Lapa. O Top 5 se completa com o Terreiro de Mangueira e o Samba da Volta, consolidando um panorama das rodas de samba que definem a identidade cultural do Rio de Janeiro.