Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero" e chefe da facção venezuelana Tren de Aragua, foi morto em uma operação militar realizada pelos Estados Unidos em coordenação com autoridades da Venezuela. O anúncio foi feito conjuntamente por Washington e Caracas na noite de sexta-feira (12). Ação coordenada e apoio tecnológico O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em sua rede social Truth Social que o Comando Sul dos EUA realizou um "ataque rápido e letal" para eliminar "Niño Guerrero", do "tristemente conhecido Tren de Aragua". Trump enfatizou que a ação foi "coordenada de perto" com a Venezuela, destacando uma colaboração eficaz entre os países. O Ministério das Comunicações venezuelano confirmou a "neutralização" de Guerrero em uma "operação coordenada" com os EUA, ocorrida no estado de Bolívar, sudeste do país. Segundo o comunicado, a operação contou com "apoio tecnológico especializado" e "mecanismos de cooperação e troca de informações de inteligência". Tren de Aragua: de prisão a organização transnacional O Tren de Aragua, classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista em janeiro de 2025, surgiu em 2014 dentro da prisão de Tocorón, no estado de Aragua. Sob a liderança de Guerrero, o grupo expandiu suas atividades criminosas, que incluem extorsão, assassinatos, tráfico de drogas e pessoas, prostituição e garimpo ilegal, atuando em diversos países da América Latina. O Departamento de Estado americano oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à captura de Guerrero. Ele já havia sido alvo de sanções americanas em julho de 2025, e promotores federais de Nova York apresentaram acusações contra 70 membros da gangue, incluindo ele, por associação criminosa e tráfico de drogas e armas. Contexto político e repressão A morte de "Niño Guerrero" ocorre em um contexto de crescente pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Em janeiro, os EUA realizaram uma incursão militar em Caracas e capturaram o então presidente Nicolás Maduro, acusado de narcof tráfico e atualmente preso em Nova York. Desde então, Delcy Rodríguez governa como presidente interina sob influência de Washington. Trump afirmou que, com essa ação, "os terroristas do Tren de Aragua não têm mais um refúgio seguro na Venezuela nem em qualquer outro lugar". O governo Maduro havia anunciado em setembro de 2023 o "desmantelamento total" da gangue após ocupar militarmente a prisão de Tocorón, mas "Niño Guerrero" era um fugitivo na época.