Procura por Elétricos Supera Expectativas, Mas Entraves Operacionais Prejudicam Negócios O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal com o objetivo de facilitar a compra de carros zero para taxistas e motoristas de aplicativo através de juros mais baixos, teve um início marcado por um interesse significativo em veículos elétricos. No entanto, o primeiro dia de funcionamento em São Paulo foi prejudicado por falhas na integração com sistemas bancários e falta de estoque em diversas concessionárias. Concessionárias de veículos elétricos foram as que mais registraram movimento, com interessados buscando informações e, em alguns casos, tentando fechar a compra. Apesar do entusiasmo, muitos clientes se depararam com prazos de entrega extensos, chegando a 90 dias, o que impacta diretamente quem depende do veículo para trabalhar e planeja usar o carro atual como entrada para obter descontos. Sistema Travado e Prazos Longos Afastam Clientes Apesar do grande número de inscritos no programa – mais de 600 mil – e dos R$ 30 bilhões em recursos previstos, a operacionalização do Move Brasil apresentou dificuldades. Vendedores relataram a impossibilidade de concluir vendas devido à falta de configuração completa dos processos e à indisponibilidade de links necessários para a avaliação de crédito e envio de documentação ao BNDES. Motoristas de aplicativo como Weslley Souza, de 29 anos, e Alef de Souza, de 32 anos, expressaram frustração. Weslley pretendia fechar a compra no mesmo dia, mas foi impedido por problemas no sistema bancário. Alef, apesar de reconhecer a economia potencial com um veículo elétrico, lamentou o prazo de entrega de 90 dias, considerando-o um obstáculo para a viabilidade financeira imediata. Outras Montadoras Enfrentam Desafios de Aprovação e Estoque Em concessionárias de marcas não elétricas, o movimento foi mais reduzido. Na Honda, por exemplo, houve um aumento na procura desde o anúncio do programa, com uma fila de espera de motoristas de aplicativo. Contudo, a aprovação de crédito ainda se mostra um gargalo, com uma média de aprovação de apenas 60% para esse perfil de cliente, segundo o gerente Nilo Silva. A falta de estoque também é um problema crítico. Gerentes de concessionárias GWM relataram receber um grande volume de ligações de interessados, mas com pouquíssimas unidades disponíveis dentro das condições do programa. Mesmo com a chegada de novos lotes, a maior parte já está comprometida com vendas anteriores. Variedade de Modelos e Potencial de Economia O Move Brasil abrange 11 montadoras e 42 modelos, incluindo veículos flex, híbridos flex e elétricos, com valor máximo de R$ 150 mil. Modelos a gasolina e diesel foram excluídos. A consultoria Bright Consulting estima que o programa pode impulsionar as vendas de veículos leves em até 15%. Um carro de R$ 100 mil, adquirido com 50% de entrada e financiamento em 24 meses a 0,99% ao mês, teria um custo financeiro mais de R$ 6 mil inferior comparado às taxas de mercado. Entre os modelos habilitados estão o BYD Dolphin e Dolphin Mini, modelos da General Motors como Onix e Tracker, Volkswagen Polo e T-Cross, GWM Ora 03, Honda City e HR-V, Hyundai Creta e HB20, Nissan Kicks, Renault Duster e Kwid, Geely EX2, além de diversas opções da Stellantis (Citroën, Fiat, Jeep) e Peugeot.