Parecer Contrária à Decisão Individual do TSE O Ministério Público Eleitoral (MPE) posicionou-se de forma contrária à decisão monocrática do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pela AtlasIntel. O parecer foi encaminhado ao TSE nesta segunda-feira, 22 de maio, após recurso interposto pelo Partido Liberal (PL). Pesquisa Investigava Impacto de Notícia Sensível A pesquisa em questão buscou avaliar o impacto de conversas divulgadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na intenção de voto dos eleitores. O levantamento, divulgado em 19 de maio, apontou uma queda de cinco pontos na intenção de voto em Flávio Bolsonaro após o surgimento das referidas conversas. O PL questionou o método da pesquisa, alegando que perguntas relacionadas ao caso Master e a apresentação do áudio do senador pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" teriam induzido as respostas dos entrevistados. Defesa da Independência das Pesquisas Eleitorais Na manifestação, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu que a interferência da Justiça Eleitoral em pesquisas de intenção de voto deve ser uma medida excepcional. Segundo ele, tal intervenção só se justifica quando houver uma quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade, com evidências concretas de que a pesquisa induziu indevidamente a formação da opinião dos entrevistados. Espinosa considerou natural que institutos de pesquisa abordem "temas políticos sensíveis" em seus questionários, não vendo irregularidades nas perguntas feitas pela AtlasIntel. Decisão Liminar e Julgamento Pendente no TSE A decisão individual do ministro Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa, atendeu ao pedido do PL. Com a liminar, a pesquisa não pode mais ser publicada nos canais oficiais da AtlasIntel, republicada ou impulsionada em redes sociais. O caso chegou a ser pautado para julgamento no plenário do TSE no dia 9 de junho, mas foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha. A data para a retomada do julgamento ainda não foi definida.