Operação Cumpre Mandados em Diversos Bairros do Rio O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio dos grupos de atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Especializada em Meio Ambiente (Gaema), denunciou 15 indivíduos por integrarem uma organização criminosa envolvida na criação e comercialização de loteamentos ilegais. A ação, que cumpre mandados de prisão e busca e apreensão nesta quinta-feira, atinge diversas áreas da cidade, incluindo Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Olaria, Realengo, Magalhães Bastos e Jardim Sulacap. Entre os denunciados estão três policiais civis e um policial militar. Um delegado da Polícia Civil também é investigado por sua suposta participação no esquema. Vítimas Enganadas com Promessas de Terrenos Regularizados Segundo as investigações, a quadrilha explorava a promessa de terrenos regularizados em uma área verde próxima ao Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste. Milton de Souza Junior, apontado como líder do grupo, se passava por proprietário de terras, promovia o parcelamento irregular e vendia os lotes. Para concretizar o golpe, utilizava falsos corretores, empresas de fachada e laranjas para receber os pagamentos. Estima-se que centenas de vítimas tenham sido lesadas, com um prejuízo financeiro superior a R$ 846 mil. Corrupção Policial e Vínculos com Milícia Detalham o Esquema A denúncia revela que o esquema era sustentado pela corrupção de agentes públicos. Policiais civis e militares teriam fornecido informações privilegiadas e dificultado as investigações. O policial civil Marcos Eduardo Maia, denunciado, teria atuado como intermediário com outros policiais da 35ª DP (Campo Grande), como Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado, para obter dados de interesse da organização. Há também indícios de conversas sobre execuções de milicianos rivais, sugerindo vínculos com grupos criminosos locais. O policial militar Wendel Vale de Oliveira é acusado de ceder maquinário, como escavadeiras, para o grupo. Danos Ambientais e Pedidos de Sequestro de Bens Além do impacto financeiro, a organização criminosa é acusada de causar graves danos ambientais na região do Parque Estadual da Pedra Branca. O MPRJ solicitou o sequestro de bens dos denunciados e a suspensão do exercício de suas funções públicas. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital. A ação conta com o apoio das Corregedorias da Polícia Civil e Militar. O jornal O Globo busca contato com as defesas dos denunciados.