Avanço Consistente com Barreiras Persistentes A participação feminina no agronegócio brasileiro demonstra um crescimento consistente, impulsionado por um aumento expressivo na pecuária, onde o número de mulheres à frente de fazendas de gado saltou 55% entre 2006 e 2017. No entanto, o estudo "Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro", coordenado pela Fundação IDH, aponta que barreiras estruturais ainda limitam o pleno desenvolvimento e a igualdade de gênero no setor. Disparidade na Gestão e Remuneração Atualmente, as mulheres administram cerca de 30 milhões de hectares, o que representa 8,5% da área rural total do Brasil. Embora representem 19% dos gestores de propriedades (947 mil estabelecimentos), a maioria dessas fazendas (77,8%) possui até 20 hectares, concentrando-se em pequenas propriedades, frequentemente ligadas à agricultura familiar ou herdadas. Essa realidade se reflete na remuneração: apenas 17,4% das mulheres do setor ganham mais de três salários mínimos, comparado a 29,8% dos homens. Essa disparidade persiste mesmo com as mulheres apresentando, em média, maior qualificação educacional. Baixa Representatividade e Acesso à Assistência Técnica A baixa representatividade institucional é outro obstáculo significativo. Apenas 8,6% dos membros de cooperativas são mulheres, o que restringe sua participação em espaços de decisão e na formulação de políticas para o agronegócio. Adicionalmente, 31% das produtoras rurais relatam não ter acesso à assistência técnica, um fator crucial para a produtividade, inovação e adoção de novas tecnologias. O estudo também analisou o papel feminino em cadeias produtivas estratégicas como soja, cana-de-açúcar, citros, cacau, café e pecuária, destacando realidades distintas de ocupação e liderança em cada uma. Gestão Feminina: Inovação e Sustentabilidade em Foco A gestão liderada por mulheres tende a incorporar práticas mais voltadas à responsabilidade social, ao bem-estar das equipes e à conservação do solo, promovendo modelos de produção mais sustentáveis e resilientes. A presença feminina no agronegócio contribui para o fortalecimento da inovação, o aumento da eficiência operacional e a capacidade de adaptação às mudanças climáticas e econômicas. O estudo enfatiza que fechar as lacunas de gênero no agronegócio é um imperativo moral e uma estratégia fundamental para a resiliência econômica e ambiental do setor. Recomendações para a Igualdade de Gênero Para superar as barreiras e impulsionar a participação feminina, o estudo recomenda a ampliação do acesso ao crédito por mecanismos que não dependam exclusivamente da titularidade da terra. Sugere também o incentivo a políticas de compras inclusivas, o desenvolvimento de programas de capacitação adaptados à realidade das produtoras, o fortalecimento de redes de mentoria, a implementação de políticas de transparência salarial, a criação de canais seguros para denúncias de assédio e o investimento em infraestrutura de apoio, como creches, para reduzir a sobrecarga com responsabilidades familiares e facilitar a permanência das mulheres no mercado de trabalho rural.