Concessão do Ibirapuera Gera Receitas para Outros Parques Paulistanos Parques urbanos e naturais têm se tornado peças-chave na saúde ambiental das cidades brasileiras e na formação de uma cultura de preservação. Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia — empresa responsável pela concessão do Parque Ibirapuera e outras áreas verdes em São Paulo, além de atrações como o Parque Nacional do Iguaçu — defende que a administração privada desses espaços, quando bem regulamentada e fiscalizada pelo poder público, pode conciliar identidade urbana, conservação ambiental e viabilidade econômica. Em entrevista ao programa VEJA+Verde, Lloyd destacou que o modelo de concessão do Ibirapuera otimizou os recursos. Antes da gestão privada, a prefeitura de São Paulo investia cerca de R$ 25 milhões anuais apenas no custeio do parque. Atualmente, um único contrato reúne receitas de patrocínios, eventos, estacionamento e comércio, com parte dos lucros sendo repassada ao poder público. O executivo ressaltou que os investimentos superaram as expectativas, atraindo grandes marcas e permitindo a expansão da infraestrutura sem a necessidade de cobrar ingresso dos visitantes. O impacto financeiro da concessão vai além do cartão-postal paulistano. O Ibirapuera funciona como uma "grande locomotiva" que sustenta outros cinco parques da rede, que não recebem aportes diretos da prefeitura desde 2020. "Eles são abastecidos e mantidos através dessas atividades comerciais, de patrocínios ou pagamento do estacionamento no Parque Ibirapuera", explicou Lloyd. Essa estratégia visa utilizar a visibilidade do Ibirapuera para apoiar áreas verdes menos conhecidas e localizadas em regiões periféricas. Sustentabilidade e Serviços Ecossistêmicos no Coração do Parque Do ponto de vista ecológico, Lloyd enfatizou os "diversos serviços ecossistêmicos" prestados pelos parques, contribuindo para mitigar os efeitos da urbanização. O Ibirapuera auxilia na regulação da temperatura e na dispersão do ruído do trânsito, além de atuar como área de retenção hídrica em uma região historicamente sujeita a alagamentos. A concessionária tem ampliado a área permeável, removendo trechos de asfalto e calçadas desnecessários, e investido no plantio de espécies nativas para atrair fauna e polinizadores, enriquecendo a biodiversidade em um ambiente urbano. A agenda de sustentabilidade inclui metas ambiciosas para a gestão de resíduos e programas de educação ambiental. Desde 2023, o Ibirapuera opera em "aterro zero", com todo o resíduo sendo compostado ou reciclado. Projetos como o "Escola no Parque" conectam estudantes à rotina de manejo de resíduos e à ciência, em parceria com a escola de astrofísica e o planetário. Adicionalmente, uma escola de música no parque oferece bolsas a 120 jovens em situação de vulnerabilidade, com um programa de cinco anos que culmina na formação de uma orquestra com apresentações em importantes palcos. Segurança e Acessibilidade Financeira: Desafios e Soluções A segurança e a acessibilidade financeira dos parques são temas de debate público, especialmente diante da presença de marcas e atividades comerciais. Lloyd reconheceu que incidentes podem ocorrer em espaços abertos, mas ressaltou que "são poucos, perto da quantidade de pessoas que visitam o Parque Ibirapuera todos os anos". A concessionária é responsável pela segurança patrimonial, enquanto a Guarda Civil Metropolitana cuida da segurança das pessoas. Quanto à publicidade, Lloyd explicou que existe um plano diretor discutido com a sociedade, que delimita áreas para eventos e ativações, seguindo os parâmetros da Lei Cidade Limpa para evitar "uma profusão de mensagens de comunicação comerciais espalhadas por todo o parque". Concessões em Parques Naturais: Conservação em Foco Em parques naturais como as Cataratas do Iguaçu (PR) e os canyons de Aparados da Serra (RS), o modelo de concessão difere, mas a prioridade na conservação é ainda mais evidente. Nestes casos, a Urbia foca na experiência do visitante, investindo em sinalização discreta, trilhas, gestão de resíduos e atrações que promovam uma permanência prolongada sem danificar o ambiente. Lloyd citou a situação crítica de Jericoacoara (CE), com um alto número de multas ambientais por uso irregular de veículos, como exemplo da necessidade de colaboração entre governo e iniciativa privada para a preservação de ecossistemas. O programa VEJA+Verde, conduzido por Diogo Schelp, busca apresentar visões e soluções para o desafio de conciliar desenvolvimento econômico e social com a preservação ambiental. Empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas participam do debate. O programa é transmitido semanalmente e está disponível online.