Tensão entre Planalto e Senado O avanço de pautas consideradas "bomba" no Senado Federal tem gerado forte irritação no Palácio do Planalto. Membros do governo e ministros passaram a defender de forma mais enfática a necessidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscar um diálogo direto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O objetivo é destravar a pauta prioritária do governo e evitar novas surpresas negativas para o Executivo federal. Estratégias em Debate no Governo Apesar da disposição do presidente Lula em acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) caso a aprovação de matérias consideradas prejudiciais ao governo seja concluída no Congresso, e do sinal verde do presidente da Câmara, Arthur Lira, de que não dará andamento a algumas dessas medidas, auxiliares avaliam que uma reaproximação com Alcolumbre é crucial. Nos bastidores, ministros da ala política expressam indignação com o avanço de proposições de grande impacto fiscal, mesmo diante de alertas da Fazenda e de pedidos para que a tramitação fosse segurada. Crise Institucional e Eleições Uma parcela do governo acredita que a crise entre os Poderes atingiu um ponto crítico, com potencial para impactar o cenário eleitoral. Por isso, a avaliação é que o momento exige uma conversa direta entre Lula e Alcolumbre, deixando de lado intermediários. Embora o presidente demonstre resistência a essa iniciativa, aliados defendem que o encontro ocorra nos próximos dias, antes da viagem de Lula a Paris para a cúpula do G7, ou logo após seu retorno. Judicialização e Agenda Prioritária A aposta quase unânime é que apenas um diálogo direto poderá melhorar a relação entre os Poderes e viabilizar o avanço da agenda prioritária do Planalto no Senado, incluindo a PEC do fim da escala 6x1. Com o aval do presidente, auxiliares já estudam formas de judicializar as medidas aprovadas, destacando a falta de indicação de fontes de recursos para bancar essas iniciativas. O ministro Dario Durigan já buscou magistrados e obteve declarações públicas, como a de Gilmar Mendes (STF), que reforçam a posição do governo de que a Corte barraria a implementação de propostas sem lastro financeiro. Paralelamente, Arthur Lira sinalizou resistência às pressões para aprovar projetos polêmicos, mantendo-os em sua gaveta por enquanto.